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Bom dia. A Vereda, a startup que quer ser a "XP do insumo agrícola", capta R$ 30 milhões, e a Zoop, fintech do iFood, recebe aval de Visa e Mastercard para virar adquirente.

Também nesta edição: o Itaú lucra R$ 12,6 bilhões no trimestre, a Fazenda quer rever benefícios fiscais para baixar a CBS, e ameaças de bomba desviam sete voos e um navio de cruzeiro na Europa.

MERCADOS

Ibovespa165.529 pontos
-1,42%
DólarR$ 5,49
+0,79%
S&P 5007.568,92 pontos
+0,36%
Dow Jones51.786,72 pontos
-0,38%
Nasdaq25.372,01 pontos
+0,83%

* Cotações consultadas após o fechamento dos mercados acionários. Valores de câmbio e commodities podem variar após esse horário.

O Ibovespa caiu 1,42% ontem, ao menor nível desde janeiro, na sexta queda seguida desde a reeleição de Lula. O dólar fechou a R$ 5,49, o maior valor do ano.

Por que caiu: o mercado ainda não sabe quem comandará a economia e já conta com juros altos por mais tempo. A XP deixou de recomendar a compra de ações brasileiras.

Quem caiu e quem subiu: a Cogna, dona da Anhanguera, liderou as quedas, com 12,66%, depois que o Citi recomendou vender a ação. A Natura liderou as altas, com 4,32%, e a Embraer subiu 4,24%, com o dólar alto e a venda de três cargueiros militares à Grécia.

EM DESTAQUE

1. Vereda, a startup que quer ser a "XP do insumo agrícola", capta R$ 30 milhões.

A Vereda é uma startup de Rio Verde (GO), fundada no fim de 2025, que vende fertilizantes, sementes e defensivos direto da indústria ao produtor rural. Ela captou R$ 30 milhões numa rodada liderada pelas gestoras Valor Capital e Canary, com o Speedrun, aceleradora da a16z, uma das investidoras em startups mais conhecidas do mundo. Foi o primeiro investimento do Speedrun no agro da América Latina.

Por que "XP do insumo": hoje, quem vende insumo ao produtor é a revenda agrícola, uma loja que compra da indústria, guarda o estoque e financia o cliente, que paga só depois da colheita. Já a Vereda funciona como um braço comercial dos fabricantes, sem estoque e sem loja: fecha a venda em nome deles, a mercadoria sai direto da indústria para a fazenda, e ela fica com uma comissão. A venda é feita por vendedores próprios e por agentes autônomos que oferecem várias marcas, como os assessores de investimento independentes da XP.

A oportunidade: com os juros altos e a inadimplência no campo, financiar o produtor por sete ou oito meses ficou caro demais para a revenda. Várias delas pediram recuperação judicial nos últimos meses, como a Soyagro. É esse espaço que a Vereda quer ocupar.

E o crédito? Sem a revenda, alguém precisa financiar o produtor até a colheita. Para resolver isso, a Vereda começou a testar um modelo em que bancos e tradings assumem esse papel: pagam à indústria à vista e recebem do produtor mais tarde. A startup só organiza a operação, sem emprestar nem assumir o risco do calote. Ela já trabalha com dez fabricantes e não divulgou faturamento.

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2. Zoop, fintech do iFood, recebe aval de Visa e Mastercard para virar adquirente.

A Zoop é a empresa de pagamentos do iFood. Ela não aparece para o consumidor: fornece a tecnologia para que outras empresas ofereçam maquininha e Pix com a própria marca. É o que faz, por exemplo, para a Olist, a Conta Azul e a TOTVS, que vendem software para pequenas empresas, e para bancos como Itaú e Nubank. São mais de 50 clientes, e o volume transacionado por ela passou de R$ 155 bilhões nos últimos 12 meses.

O que muda: com o aval, confirmado ontem pelo presidente da Zoop, Cesario Martins, ela passa a ser adquirente, como Cielo, Rede e Stone. Adquirente é quem liga a loja direto à Visa e à Mastercard e repassa ao lojista o dinheiro de cada venda no cartão. Hoje, a Zoop depende de outra adquirente para fazer essa ponte.

Por que agora: desde novembro de 2025, uma regra do Banco Central aumentou as exigências para quem recebe o dinheiro do cartão e repassa aos vendedores, que é o caso de muitos marketplaces. Com a Zoop adquirente, o marketplace pode deixar essa tarefa com ela e sair do alcance da regra.

O que vem agora: a integração com a Mastercard deve ficar pronta até o fim de janeiro, e a com a Visa, no primeiro semestre de 2027, segundo o Valor. O iFood será o primeiro cliente.

NEGÓCIOS

3. Itaú lucra R$ 12,6 bilhões no terceiro trimestre, em linha com o esperado.

O lucro recorrente, que deixa de fora ganhos e perdas pontuais, cresceu 6,2% em um ano, mas o ritmo vem diminuindo: no segundo trimestre, a alta tinha sido de 7,8%. Ainda assim, o Itaú segue bem mais rentável que os concorrentes. Para cada R$ 100 de patrimônio, lucra R$ 23,60 por ano, contra R$ 16,10 do Bradesco e R$ 11,90 do Santander. O ponto de atenção está nas pequenas e médias empresas. O crédito para elas foi o que mais cresceu no banco, 15,1% em um ano, puxado por linhas de programas do governo que começam com um período sem cobrança de parcelas. Agora que esse período acabou e as parcelas começaram a vencer, o atraso acima de 90 dias nessas empresas subiu de 1,7% para 2,1% em um ano. Mesmo com o atraso maior, o banco manteve as previsões para 2026, como a de ampliar o crédito entre 5,5% e 9,5%.

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4. GAC, montadora chinesa, define janeiro de 2027 para começar a produzir no Brasil.

A data foi dada pelo diretor comercial da GAC no Brasil, Gustavo Schmidt, em entrevista à Exame. Sexta maior montadora da China, a GAC vende carros aqui desde 2025, todos importados. A fábrica não será dela. Quem vai produzir é a HPE, empresa brasileira que já fabrica os modelos da Mitsubishi em Catalão (GO) e vai montar os da GAC numa linha separada, com capacidade para 50 mil carros por ano. O plano foi anunciado em março, e a GAC prevê investir US$ 1,3 bilhão até 2030, cerca de R$ 7 bilhões. Com a produção local, a meta é vender 50 mil carros em 2027, contra cerca de 20 mil neste ano, e passar de 60 para 150 lojas.

Outras notícias:

TECNOLOGIA E IA

5. CrowdStrike compra duas startups de segurança de IA por US$ 495 milhões.

A empresa americana de cibersegurança, conhecida pelo apagão que travou milhões de computadores em 2024, assinou ontem os acordos para comprar a Fiddler e a Dreadnode. Segundo o Wall Street Journal, a compra sai por US$ 400 milhões pela primeira e US$ 95 milhões pela segunda. As duas cuidam de um problema novo nas empresas: os agentes de IA, programas que executam tarefas sozinhos, como responder e-mails ou mexer em sistemas internos. A Fiddler acompanha e registra cada decisão desses agentes, e a Dreadnode ataca os modelos de propósito para achar falhas antes que entrem em uso. No mesmo dia, a CrowdStrike lançou uma ferramenta que desliga o agente de IA de um cliente quando ele tenta fazer algo proibido. As compras devem ser concluídas até janeiro.

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6. Plataforma de vídeos com IA capta US$ 1,3 bilhão e dobra de valor.

A Fal é uma plataforma americana que reúne diferentes modelos de IA, usados por empresas para gerar vídeos, imagens e áudios. Ela anunciou ontem a nova rodada, liderada pela gestora Bessemer e com a Nvidia entre os investidores, mas não divulgou os números. Segundo a Bloomberg, o aporte avalia a Fal em US$ 16 bilhões, o dobro de abril e mais de dez vezes o valor de julho de 2025. Pela mesma reportagem, a empresa já tinha, no começo deste ano, uma receita anualizada de mais de US$ 800 milhões. Concorrentes como a Fireworks, que também recebeu dinheiro da Nvidia, seguem o mesmo caminho: neste ano, ela captou US$ 1,5 bilhão e passou a valer US$ 17,5 bilhões.

Outras notícias:

BRASIL E ECONOMIA

7. Fazenda quer rever benefícios fiscais para baixar a CBS, e entidades pedem adiar o imposto.

A CBS é o novo imposto federal sobre o consumo, que substitui PIS e Cofins a partir de 2027. Na semana passada, o TCU, que pela lei da reforma tributária faz o cálculo, fixou a alíquota de referência em 11,3%, bem acima dos 9,21% que a própria Fazenda projetava em julho. A taxa ficou alta porque o Congresso deu isenção ou desconto a muitos setores, e os demais pagam a diferença. Ontem, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que vai discutir com o Congresso, ao longo de 2027, a revisão dessas exceções para baixar a alíquota. No Senado, o relator do tema, Eduardo Braga, admitiu que todos foram "pegos de surpresa". Em carta, entidades de direito tributário, entre elas a OAB do Distrito Federal, pediram que a cobrança efetiva comece só em 2028. O Senado tem até 15 de dezembro para fixar a alíquota. Se não votar, vale o cálculo do TCU.

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8. Fux defende banir as bets do esporte em audiência do STF sobre a proibição das apostas.

Desde setembro, uma medida provisória proíbe as apostas esportivas e os cassinos online no Brasil, e as empresas do setor pediram ao STF que derrube a regra. Relator das ações, o ministro Luiz Fux reuniu ontem governo, clubes e empresas numa audiência pública e disse estar convencido de que o vício em apostas "é um problema de saúde pública" e deveria ser banido dos esportes. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu manter a proibição e afirmou que a procura do SUS por tratamento do vício subiu mais de 200% desde 2018. Do outro lado, os clubes reclamaram da perda de receita: só o Flamengo estima deixar de ganhar cerca de R$ 430 milhões por ano. O caso vai ao plenário do STF, ainda sem data. No Congresso, a medida provisória completou 40 dias sem relator.

Outras notícias:

MUNDO

9. Ameaças de bomba desviam sete voos e um navio de cruzeiro na Europa.

As ameaças chegaram ontem a companhias aéreas como Ryanair, Wizz Air, SAS e LOT, e todos os aviões pousaram em segurança, sem nenhum explosivo a bordo. Na Itália, um voo da Ryanair entre Dublin e Roma foi escoltado por dois caças até o pouso. Na Polônia, um avião da LOT que vinha de Londres foi desviado para o aeroporto de Modlin, fechado durante a revista. No mar, o navio de cruzeiro Crown Iris, que seguia para Israel com cerca de 1.500 pessoas, foi evacuado perto da ilha de Syros, na Grécia. Ninguém assumiu as ameaças. Governos europeus vêm acusando a Rússia e o Irã de promover sabotagens baratas e difíceis de rastrear, como ameaças falsas e ataques hackers, e os dois países negam.

Outras notícias:

PARA FICAR DE OLHO

  • O Copom anuncia às 18h30 se mantém a Selic em 13,75% ao ano, na primeira decisão depois da eleição.

  • A Fazenda promete para hoje a MP do Imposto Seletivo, que substitui o IPI sobre cigarros, bebidas e carros em fevereiro de 2027.

  • O Caged de setembro sai às 14h30, com o saldo de empregos com carteira assinada.

  • As bolsas reagem às eleições de meio de mandato nos EUA, que definem o controle do Congresso até o fim do governo Trump.

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