Este site usa cookies

Leia nossa Política de privacidade e Termos de uso para mais informações.

Bom dia. Startup brasileira Rivio, que usa IA na cobrança de hospitais, passou a valer R$ 1 bilhão, e a Anvisa aprovou o Wegovy em comprimido, o primeiro da família das canetas emagrecedoras liberado para obesidade no país.

Também nesta edição: o Copom mantém a Selic em 13,75% e encerra cinco cortes seguidos, os democratas conquistam a Câmara e o Senado dos EUA, e a plataforma Canva corta até 22% dos funcionários.

MERCADOS

Ibovespa167.563 pontos
+1,23%
DólarR$ 5,45
-0,64%
S&P 5007.688,62 pontos
+1,58%
Dow Jones53.356,12 pontos
+3,03%
Nasdaq25.736,51 pontos
+1,44%

* Cotações consultadas após o fechamento dos mercados acionários. Valores de câmbio e commodities podem variar após esse horário.

O Ibovespa subiu 1,23% ontem, e o dólar caiu 0,64%, para R$ 5,45. O índice fechou em 167.563 pontos, interrompendo seis quedas seguidas.

Por que subiu: a bolsa acompanhou a alta em Nova York, onde o Dow Jones subiu 3,03% depois que os democratas conquistaram a Câmara e o Senado dos EUA. O dólar perdeu força frente a outras moedas, e os juros futuros caíram aqui.

Quem subiu e quem caiu: Magalu e Localiza, que dependem de crédito, subiram mais de 7%. A petroleira Brava liderou as quedas, com 9,19%, e a Petrobras perdeu mais de 7%, com o tombo do petróleo pela aposta num fim da guerra no Irã.

EM DESTAQUE

1. Brasileira Rivio, que usa IA na cobrança de hospitais, fecha rodada e passa a valer R$ 1 bilhão.

A Rivio, fundada no ano passado, captou mais R$ 80 milhões numa extensão da Série A, sua primeira grande rodada, que soma R$ 180 milhões no total. A nova etapa foi liderada pelas gestoras Valor Capital e Monashees e dobrou o valor da empresa em menos de um ano.

O que ela faz: revisa com IA a conta que o hospital manda ao plano de saúde depois de um atendimento. Segundo o Valor, uma internação de uma semana gera uma conta de cerca de 100 páginas, com milhares de itens que muitas vezes são cobrados com erro ou nem são cobrados. Os agentes da Rivio acham os erros antes do envio, e a empresa é paga pelo resultado. Einstein, Sírio-Libanês e Oswaldo Cruz estão entre os 13 grupos hospitalares atendidos.

O tamanho da oportunidade: em 2025, os planos contestaram quase 16% do que os hospitais privados cobraram, segundo a Anahp, associação do setor. A maior parte acaba paga depois da negociação, mas o hospital espera, em média, mais de 70 dias para receber. A Rivio estima que até 10% do faturamento se perde com erros de cobrança.

Quem está por trás: Silvio Frison, ex-presidente da Serasa Consumidor, e Ricardo Sales, cofundador do isaac, fintech de mensalidades escolares que a Arco Educação comprou por US$ 150 milhões.

Para onde vai o dinheiro: contratar engenheiros e levar a IA também para a gestão de leitos, equipes e compras.

____

2. Anvisa aprova versão em comprimido do Wegovy, a caneta para obesidade da Novo Nordisk.

A Novo Nordisk, dona do Ozempic, ganhou ontem o aval da Anvisa para vender no Brasil o Wegovy em comprimido, tomado uma vez por dia, em vez da injeção semanal. A decisão saiu no Diário Oficial e vale para adultos com obesidade ou com sobrepeso e doenças ligadas ao peso, como hipertensão. É o primeiro comprimido da família das canetas emagrecedoras liberado para obesidade no país. O Rybelsus, da mesma empresa, é vendido só para diabetes.

Quanto emagrece: no estudo que embasou a aprovação, quem tomou o remédio por 64 semanas perdeu em média 13,6% do peso, contra 2,2% de quem tomou placebo. Cerca de três em cada dez perderam 20% ou mais. A dose de manutenção é de 25 mg por dia, contra 2,4 mg por semana na caneta, porque parte da substância se perde na digestão.

Quando chega: ainda não há preço nem data. Antes de vender, a Novo precisa que a CMED, órgão do governo que fixa o teto de preço dos remédios, defina quanto ele pode custar. Nos EUA, onde chegou em janeiro, o tratamento custa de US$ 149 a US$ 299 por mês, conforme a dose, para quem paga do próprio bolso.

O que está em jogo: a patente da semaglutida, a substância do Wegovy e do Ozempic, caiu em março, e versões genéricas da caneta já começaram a ser aprovadas. No terceiro trimestre, o comprimido vendeu US$ 810 milhões e, segundo a Novo, já responde por cerca de 80% das novas prescrições da marca nos EUA. A empresa também elevou ontem, pela terceira vez no ano, a previsão de vendas e lucro para 2026.

NEGÓCIOS

3. Mineradora australiana fecha contrato para vender terras raras de Minas à Solvay até 2034.

A Viridis vai extrair os minérios em Poços de Caldas (MG) e enviar o material para ser processado na França pela Solvay, grupo químico belga. O contrato cobre cerca de 70% da produção prevista dos elementos usados em ímãs. Esses ímãs estão em produtos como celulares, carros elétricos, turbinas eólicas e armamentos. Para o Financial Times, o acordo reduz a dependência mundial da China, que domina o refino desses minerais. As entregas começam em 2028. O projeto ainda está em licenciamento ambiental, e a Solvay também terá preferência para comprar o restante do material. O valor não foi divulgado.

____

4. Aeris, maior fabricante de pás eólicas da América do Sul, pede recuperação extrajudicial.

A Aeris quer renegociar R$ 1,52 bilhão em dívidas diretamente com os credores, sem pedir recuperação judicial. O plano já tem o apoio de credores com 42% desse valor, e a empresa tem 90 dias para passar de 50%, o mínimo legal. A construção de parques eólicos no Brasil quase parou, com energia barata e juros altos. Com poucas vendas no país, toda a produção do primeiro semestre foi para os EUA, segundo o NeoFeed. Em 2025, a receita caiu pela metade, para R$ 746 milhões, e o prejuízo somou R$ 901 milhões. É a segunda reestruturação em 18 meses.

Outras notícias:

TECNOLOGIA E IA

5. Canva corta até 22% dos funcionários e fala em "ano mais difícil".

A plataforma australiana de design, usada em posts e apresentações, anunciou uma reestruturação que atinge 1.271 pessoas. Parte será demitida, parte trocará de função e parte terá de se mudar para os escritórios centrais, como a sede, em Sydney. A Canva não disse quantos serão cortados. A CEO, Melanie Perkins, disse que este foi o ano mais difícil da empresa, com o crescimento desacelerando pela primeira vez em dez anos. Áreas serão fundidas, e a gestão terá menos níveis. Quem sair leva ao menos seis meses de salário, e mais US$ 10 mil se quiser abrir um negócio próprio.

____

6. Meta compra a Conductor, startup de programação com IA.

Criada em 2024, a startup tem uma plataforma que permite coordenar vários agentes de IA num mesmo projeto. Em março, captou US$ 22 milhões e diz ter mais de 100 mil usuários. A Meta confirmou o negócio, mas não revelou o valor. O fundador, Charlie Holtz, disse que vai trabalhar com a cúpula do laboratório de superinteligência da Meta. O serviço na nuvem será desligado em 20 de novembro, e a versão para computador vai até o início de 2027. Com a aquisição, a dona do Facebook entra na corrida das gigantes pelas ferramentas de programação, hoje a principal porta de entrada da IA nas empresas.

Outras notícias:

BRASIL E ECONOMIA

7. Copom mantém a Selic em 13,75% e encerra sequência de cinco cortes.

O Banco Central anunciou a decisão por volta das 18h30 de ontem, com voto unânime dos sete membros do comitê. Foi a primeira reunião depois da reeleição de Lula. No comunicado, o BC cita a guerra no Oriente Médio, que encarece o petróleo, e a inflação, que está acima do teto da meta. O mercado já prevê IPCA de 5,2% em 2026, segundo o boletim Focus. O comitê diz ainda acompanhar a política fiscal, o que reforça a "postura de cautela". O texto não indica qual será o próximo passo.

____

8. Lula fará pronunciamento em rede nacional no domingo para falar das contas públicas.

Sem horário divulgado, será o primeiro pronunciamento desde a reeleição, depois de semanas em que a bolsa caiu e o dólar subiu com a dúvida sobre as contas do novo mandato. Auxiliares ouvidos pela imprensa dizem que Lula vai prometer um ajuste para cumprir as metas fiscais, sem mexer nos programas sociais. A promessa deve vir sem detalhes: segundo o Estadão, ele não vai anunciar cortes nem dizer quem comandará a Fazenda no novo mandato, e deixará as medidas de gastos e de arrecadação para as próximas semanas.

Outras notícias:

MUNDO

9. Democratas conquistam a Câmara e o Senado dos EUA na eleição de meio de mandato.

É a primeira vez em 20 anos que um presidente republicano perde as duas Casas do Congresso. Os democratas já garantiram mais de 50 das 100 cadeiras do Senado e mais de 220 das 435 da Câmara, onde a maioria é de 218. A partir de 3 de janeiro, quando o novo Congresso toma posse, Trump vai precisar de votos democratas para aprovar leis, e o Senado poderá barrar suas indicações, como as de juízes e ministros. Ontem, Trump admitiu que a guerra no Irã contribuiu para a derrota, mas disse que "não teria feito nada diferente".

Outras notícias:

PARA FICAR DE OLHO

  • Começa hoje em Xangai a Exposição Internacional de Importação da China, onde a delegação brasileira projeta US$ 280 milhões em negócios.

  • O IBGE divulga às 9h a produção industrial de setembro, depois do Caged mais fraco para o mês desde 2020.

  • O Banco da Inglaterra anuncia às 9h se sobe os juros, o que seria a primeira alta desde 2023.

COMPARTILHE

Conhece alguém que precisa ler isso?

Envie para seu sócio, seu gerente ou aquele amigo que vive dizendo que não tem tempo de acompanhar as notícias. Leva 2 segundos.

FEEDBACK

O que você achou da edição de hoje?

Você pode deixar um comentário depois de votar, nos ajuda muito.

SOBRE NÓS

O The Operator é um jornal feito para quem toca uma empresa. Cobrimos os acontecimentos mais importantes do Brasil e do mundo, de política e economia a negócios e tecnologia. Além das notícias, trazemos estudos de caso, estratégias e ideias para ajudar você a tomar melhores decisões.

Você está lendo o The Operator | News, nossa edição diária de notícias, enviada de segunda a sábado, às 7h07.

Até amanhã, às 7h07.
The Operator - O jornal de quem toca uma empresa.