Este site usa cookies

Leia nossa Política de privacidade e Termos de uso para mais informações.

Bom dia. A bolsa despencou 13,88% ontem, e o dólar teve a maior alta em um dia em mais de 20 anos, no primeiro pregão depois da reeleição de Lula.

Também nesta edição: o Itaú compra uma startup de inteligência artificial por R$ 2,9 bilhões, a Anthropic, dona do Claude, pede para abrir capital, e o Banco Central muda as regras do crédito no Pix.

MERCADOS

Ibovespa176.608 pontos
-13,88%
DólarR$ 5,40
+8,21%
S&P 5007.676,77 pontos
+0,70%
Dow Jones52.361,58 pontos
+0,28%
Nasdaq26.169,38 pontos
+0,82%

* Cotações consultadas após o fechamento dos mercados acionários. Valores de câmbio e commodities podem variar após esse horário.

O Ibovespa despencou 13,88% ontem, aos 176.608 pontos, na maior queda diária desde março de 2020. No primeiro pregão depois da reeleição de Lula, a B3 acionou o circuit breaker logo na abertura e suspendeu a negociação por 30 minutos, a 24ª vez desde 1997.

O mercado vinha apostando na vitória de Flávio Bolsonaro e numa melhora das contas públicas. Com Lula, investidores temem que o ajuste não venha. Das 76 ações do índice, 68 caíram: a Magalu perdeu 58,23%, e o Banco do Brasil, 29,33%. Exportadoras como Suzano e Embraer subiram, ajudadas pelo dólar.

O dólar fechou a R$ 5,40, alta de 8,21%, a maior em um dia em mais de 20 anos, e os juros futuros dispararam. Para acalmar o mercado, o Tesouro cancelou leilões da semana e recomprou cerca de R$ 14,8 bilhões em títulos. Em Nova York, o fundo de ações brasileiras caiu 19,84%, enquanto o Nasdaq subiu 0,82%.

EM DESTAQUE

1. Itaú compra startup brasileira de inteligência artificial por R$ 2,9 bilhões.

O Itaú assinou contrato para comprar 100% da NeoSpace, startup de Uberlândia (MG) que cria modelos de inteligência artificial treinados com os dados dos próprios clientes. O valor é de R$ 2,925 bilhões: uma parte no fechamento e o resto ao longo de cinco anos, se cumpridas certas condições.

Quem é: fundada no fim de 2023 pelos criadores da Zup, empresa de software que o Itaú comprou em 2019, a NeoSpace usa dados de transações e de consumo para prever calote, fraude e cancelamento. Ela já trabalha para o banco há quase dois anos, e o Itaú tinha 15% dela desde janeiro de 2025.

Por que agora: a startup projetava faturar cerca de R$ 300 milhões em 2026 e negociava uma rodada que a avaliaria em US$ 1,25 bilhão. Segundo o NeoFeed, isso pesou para o banco decidir comprá-la inteira. "Nós entendemos que era um ponto de oportunidade", disse ao site o presidente-executivo do Itaú, Milton Maluhy Filho.

O que muda: a gestão segue autônoma, com Bruno Pierobon no comando, e a tecnologia vai reforçar o ia.i, assistente de IA do aplicativo do banco. Segundo o NeoFeed, depois das aprovações a NeoSpace encerra os contratos com outros clientes e passa a trabalhar só para o Itaú.

Próximos passos: o negócio depende do Cade e do Banco Central.
____

2. Anthropic, dona do Claude, protocola pedido de IPO nos EUA.

A Anthropic entregou à SEC, a CVM americana, o prospecto para estrear na Nasdaq com o código ANT. O documento não traz preço nem data, mas, segundo o WSJ, a Reuters e o Financial Times, a estreia deve ser em novembro, com a empresa avaliada a partir de US$ 1,5 trilhão. Em maio, numa rodada privada, ela valia US$ 965 bilhões.

Em números: a receita do primeiro semestre foi de US$ 16,3 bilhões, 14 vezes a do mesmo período de 2025. O prejuízo foi de US$ 80,7 bilhões, mas US$ 72,4 bilhões vêm de um efeito contábil: com a valorização da empresa, as dívidas que viram ações passaram a valer mais. Só com as operações, ela perdeu US$ 693 milhões no semestre e teve lucro de US$ 974 milhões no segundo trimestre.

Quem manda: os sete fundadores ficam com 50,1% dos votos, mas um comitê independente, criado para zelar pela segurança da IA, elege a maioria do conselho.

Os riscos: no próprio prospecto, a empresa diz que a IA avançada pode trazer "riscos catastróficos ou existenciais à humanidade". Ela também informa que a FTC, órgão de defesa do consumidor dos EUA, abriu em outubro uma investigação sobre suas práticas. Segundo a Axios e a The Hill, a FTC pediu ontem o depoimento de executivos da empresa.

A reação: o pedido ajudou a animar as ações ligadas à IA, e o Nasdaq subiu 0,82%.

NEGÓCIOS

Gigante americana de gás compra rival por US$ 13 bilhões. A demanda por gás natural nos EUA cresce com a exportação e com os data centers de inteligência artificial. De olho nisso, a EQT, que explora gás no leste do país, fechou acordo para comprar a Range Resources. Somando ações e dívidas, a nova empresa vale mais de US$ 50 bilhões e vai passar à frente da Expand Energy como maior produtora de gás do país. O negócio depende de reguladores e acionistas e deve ser concluído no primeiro trimestre de 2027.

Outras notícias:

TECNOLOGIA

Vivo e Starlink lançam conexão do celular direto com satélites. Em estradas e áreas rurais, onde as torres não chegam, o celular costuma ficar sem sinal. Com o serviço lançado ontem, aparelhos compatíveis de cerca de 50 milhões de clientes da Vivo passam a se conectar sozinhos aos satélites da Starlink, sem antena. Funciona só ao ar livre, para mensagens, mapas e ligações por aplicativo, e é grátis por 12 meses para pessoa física e por três meses para empresas. Na sexta, três operadoras regionais assinaram acordo com a americana AST SpaceMobile, rival da Starlink, para oferecer algo parecido.

Startup de escavadeiras autônomas capta US$ 600 milhões e passa a valer US$ 4,1 bilhões. Nos EUA, as construtoras têm dificuldade para contratar operadores de máquinas, e, segundo a empresa, formar um leva cinco anos ou mais. A Bedrock Robotics instala em escavadeiras comuns um kit que faz a máquina operar sozinha, e desde agosto elas já trabalham em obras reais, como numa estação de tratamento de água em Nevada. A rodada foi liderada pela CapitalG, fundo da Alphabet, dona do Google, e pela Emergence Capital. Comandada por ex-engenheiros da Waymo, empresa de táxis sem motorista da Alphabet, a startup soma quase US$ 1 bilhão captado em dois anos.

Outras notícias:

BRASIL E ECONOMIA

Banco Central vai exigir autorização prévia para o crédito oferecido na hora do Pix. Ao pagar com Pix, o cliente pode receber do próprio banco a oferta de parcelar o valor, com juros. Pelas regras aprovadas na sexta, a oferta só pode aparecer para quem autorizar antes, com 24 horas de espera. Fica proibido oferecer crédito acima do valor do Pix, em Pix agendado e em saque ou troco. Para quem vende, nada muda: o valor inteiro cai na hora. As regras valem a partir de julho de 2027, quando os bancos também terão de mostrar no aplicativo um painel com as dívidas do cliente, com alerta quando as parcelas chegarem a 40% do que ele pode pagar por mês.

Outras notícias:

MUNDO

Trump diz que a eleição no Brasil "pareceu fraudada", sem apresentar provas. Questionado por jornalistas ontem, o presidente americano disse que a votação teve "uma aparência muito ruim" e que a prorrogação do horário "foi muito estranha", mas afirmou que gosta de Lula e que "não governa o Brasil". Em entrevista à Rede Vanguarda, o vice-presidente Geraldo Alckmin chamou a fala de "totalmente equivocada" e disse que o governo vai manter as negociações comerciais com os EUA.

Outras notícias:

PARA FICAR DE OLHO

  • A Braskem tem até hoje para responder à B3 sobre a chance de virar uma empresa sem controlador, segundo o Estadão.

  • Coca-Cola, Boeing e PayPal divulgam o balanço antes da abertura da bolsa americana, e a Visa, depois do fechamento.

  • O Fed começa hoje a reunião de dois dias e anuncia os juros americanos amanhã, às 15h.

FEEDBACK

O que você achou da edição de hoje?

Você pode deixar um comentário depois de votar, nos ajuda muito.

SOBRE NÓS

O The Operator é um jornal feito para quem toca uma empresa. Cobrimos os acontecimentos mais importantes do Brasil e do mundo, de política e economia a negócios e tecnologia. Além das notícias, trazemos estudos de caso, estratégias e ideias para ajudar você a tomar melhores decisões.

Você está lendo o The Operator | News, nossa edição diária de notícias, enviada de segunda a sábado, às 7h07.

Até amanhã, às 7h07.
The Operator - O jornal de quem toca uma empresa.