
Bom dia. Bradesco sobe para 15% ao ano a taxa mínima do financiamento imobiliário, acima da Selic, e o número de endividados de risco no Brasil chega a 20,3 milhões.
Também nesta edição: a americana Advent fecha o maior fundo de private equity do ano, a Apple lança computadores com chip M6, e Trump diz que vai proibir o termo "inteligência artificial".
MERCADOS
| Ibovespa | 175.710 pontos |
| |
| Dólar | R$ 5,35 |
| |
| S&P 500 | 7.722,60 pontos |
| |
| Dow Jones | 52.377,57 pontos |
| |
| Nasdaq | 26.477,81 pontos |
|
* Cotações consultadas após o fechamento dos mercados acionários. Valores de câmbio e commodities podem variar após esse horário.
O Ibovespa caiu 0,51% ontem, aos 175.710 pontos, e acumula queda de 14,32% em dois pregões depois da eleição. Foi um dia de ajuste: as maiores altas vieram de ações que tinham despencado na segunda, como a construtora Tenda, que subiu 10,20% com uma recomendação de compra do JPMorgan, e a Magalu, que subiu 8,49% depois de perder 58,23%.
O dólar recuou 0,97%, para R$ 5,35, e os juros futuros caíram. Para conter as oscilações, o Tesouro recomprou mais R$ 16,8 bilhões em títulos e cancelou os leilões da semana. Em dois dias, as recompras somam R$ 31,6 bilhões. Segundo o Valor, na segunda-feira, investidores estrangeiros fizeram a maior aposta diária contra o real em pelo menos 13 anos: US$ 7,4 bilhões em derivativos de dólar.
Em Nova York, o Nasdaq subiu 1,18%, puxado por ações de chips e de inteligência artificial, e o S&P 500, 0,60%. O petróleo Brent caiu 1,8%, para US$ 113,88, depois que Irã, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão concordaram em seguir conversando sobre a segurança na região.
EM DESTAQUE

1. Bradesco eleva para 15% ao ano a taxa mínima do financiamento imobiliário.
Na tabela que vale desde segunda, a taxa de partida do crédito imobiliário do Bradesco para a maioria dos clientes subiu de 11,69% para 15% ao ano, mais a TR, índice que corrige o saldo devedor. Com isso, ela superou a Selic, de 13,75%. Só os clientes com patrimônio acima de R$ 10 milhões têm piso menor, que subiu de 11,45% para 13,6%.
Por que: em nota à Exame, o banco disse que atualizou as taxas por causa da alta dos juros no mercado, que dispararam no primeiro pregão depois da eleição. Disse também que as condições finais são negociadas caso a caso, conforme o perfil do cliente.
Quanto pesa: numa simulação da Exame, a primeira parcela de um financiamento de R$ 500 mil em 30 anos sobe de R$ 6.020 para R$ 7.246, cerca de 20% a mais. O aumento vem com o crédito imobiliário em alta: segundo a Abecip, associação do setor, os financiamentos somaram R$ 180,9 bilhões no 1º semestre, 23% mais que um ano antes.
____
2. Número de endividados de risco cresce 75% em cinco anos e chega a 20,3 milhões.
O Banco Central divulgou ontem o Relatório de Estabilidade Financeira, em que avalia a saúde de bancos e famílias. Em junho, eram 20,3 milhões de endividados de risco, 17% de quem deve ao sistema financeiro. Em junho de 2021, a fatia era de 9,7%.
Quem entra na conta: é endividado de risco quem reúne ao menos dois de quatro sinais de dificuldade: atraso de mais de 90 dias, mais da metade da renda comprometida com dívidas, uso ao mesmo tempo de cheque especial, crédito pessoal e rotativo do cartão, e renda que sobra abaixo da linha de pobreza depois de pagar as parcelas.
O impacto: o peso das parcelas na renda das famílias é o maior em 21 anos, e é ainda maior entre os mais pobres. Os empréstimos às famílias com atraso prolongado ou risco de não serem pagos chegaram a 9,2% do total em junho, perto do recorde de 9,3%. No cartão de crédito, o índice foi a 12,7%.
O que vem pela frente: o presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que pretende anunciar novas medidas ainda neste ano, com foco em quem está no rotativo do cartão ou com atraso grande. Na sexta, o BC já tinha decidido que, a partir de 31 de março de 2027, os bancos só poderão oferecer crédito a clientes vulneráveis com autorização prévia deles.
O outro lado: o BC diz que não há risco relevante para a estabilidade do sistema financeiro. Das 1.708 instituições avaliadas, 242 podem não cumprir as novas exigências de capital mínimo, mas o buraco soma R$ 584,5 milhões, cerca de 0,03% do sistema.
NEGÓCIOS

Advent capta US$ 30 bilhões e fecha o maior fundo de private equity do ano. Com mais de US$ 109 bilhões sob gestão, a gestora americana Advent compra participações em empresas no mundo todo. Seu fundo principal ficou com cerca de US$ 27 bilhões, e outro, de empresas médias, com mais de US$ 3 bilhões. O foco dos dois é a Europa e a América do Norte, mas o principal pode pôr até 20% em emergentes, como o Brasil. Não há fatia definida para o país, disse o sócio Juan Pablo Zucchini ao Estadão, e a reeleição de Lula "não é um tema" para a gestora, que está aqui desde 1997 e, neste ano, entrou na Natura.
Empresa de R$ 1,7 bilhão que fornece cabos para Enel e Neoenergia amplia a produção em 40%. A Condumax Incesa, de Olímpia (SP), vende fios e cabos a distribuidoras de energia, montadoras e construtoras. Ontem, inaugurou a ampliação, que eleva a capacidade de 25 mil para 35 mil toneladas por ano e abre 50 vagas de emprego. As distribuidoras respondem por 40% da receita, e o presidente-executivo, Marcos Matias, disse à Exame que elas devem investir R$ 260 bilhões nas redes até 2030. Para atender essa demanda, o grupo prevê investir R$ 160 milhões em 2027 numa nova fábrica de cabos de média tensão, os das redes nos postes, que também devem ser vendidos a data centers.
Outras notícias:
Família que controla a Profarma fecha acordo para comprar a fatia de 38,18% da americana Cencora, sócia da distribuidora de remédios desde 2014.
GM vai produzir SUVs híbridos em Michigan depois de investir pesado em elétricos e perder espaço para Toyota e Honda no segmento.
Syngenta mira valer pelo menos US$ 66 bilhões ao estrear na bolsa de Hong Kong, no começo de 2027, segundo a Reuters.
Guidewire acerta compra da britânica hyperexponential por até US$ 2,1 bilhões para levar IA à precificação de seguros.
Whirlpool, dona da Brastemp e da Consul, registra perda de US$ 54 milhões com a Casas Bahia e anuncia aumento de até 10% nos preços na América Latina.
Weil, banca de advocacia que conduziu as falências do Lehman e da GM, contrata especialistas em reestruturação depois de uma fusão fracassada e da saída de sócios.
Coca-Cola eleva pela terceira vez a projeção de lucro do ano, com volume de vendas 5% maior.
Boeing tem prejuízo de US$ 116 milhões, adia para o 2º semestre de 2027 a meta de produção do 737, e a ação cai 10,69%.
TECNOLOGIA

Apple lança MacBook Pro e iMac com chip M6 e aposta em IA rodando no computador. O M6 foi feito para executar tarefas de inteligência artificial no próprio aparelho, sem depender da nuvem. Segundo a Apple, o MacBook Pro de 14 polegadas faz isso até 25% mais rápido que o modelo anterior, e o iMac, até cinco vezes mais rápido que a versão com M4. Nos EUA, os dois saem a partir de US$ 1.999 e US$ 1.499, com entregas que começam em 6 de novembro. No Brasil, partem de R$ 24.999 e R$ 17.999, ainda sem data de venda.
Trump diz que vai proibir o termo "inteligência artificial" e trocá-lo por "superinteligência". Numa postagem ontem, o presidente americano reclamou que o Wall Street Journal ainda usa "IA", nome que chamou de "muito ruim e impreciso", e disse que o termo será banido "em todos os documentos relevantes, e em todo o resto". A troca já vale dentro do governo: desde setembro, uma ordem executiva manda os órgãos federais usarem "superinteligência" em sites, relatórios e documentos. A postagem não diz se a proibição valeria fora do governo. Para Jamal Greene, professor de Direito em Columbia, o presidente não pode impedir empresas e cidadãos de usar o termo.
Outras notícias:
Amazon recebe aval da FCC para comprar a Globalstar por US$ 11,5 bilhões e avança na disputa com a Starlink pelo sinal de satélite direto no celular.
Oracle passa a oferecer em sua nuvem os chips de IA do Google e leva seus sistemas de gestão para dentro do ChatGPT.
BRASIL E ECONOMIA

Durigan promete lei para que o governo mire a meta fiscal, e não o limite que a tolerância permite. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse ontem que vai propor um projeto de lei complementar com esse objetivo. A regra fiscal aceita que o resultado das contas do governo fique um pouco abaixo da meta, e essa margem vai continuar existindo, mas, segundo ele, a lei vai tirar "dúvida jurídica" de que o alvo é a própria meta. De acordo com o Valor, as novas regras ampliam o espaço para bloquear gastos, e outras medidas virão depois que Lula definir a equipe econômica. Sobre a reação do mercado desde a eleição, Durigan disse que é "questão de posição e não fundamento econômico". No mesmo dia, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o ajuste fiscal "não foi discutido, e nem está sendo discutido" no governo, e que as prioridades no Congresso até 20 de dezembro são a PEC da Segurança, a MP das bets e a PEC da tarifa zero no transporte público.
Pix já responde por 55% dos pagamentos, e a taxa do cartão de crédito cai. Segundo estatísticas do Banco Central divulgadas ontem, o Pix teve 55,2% das transações de pagamento no 1º semestre, com quase 44 bilhões de operações, 19,4% a mais que um ano antes. A taxa média que o lojista paga nas vendas no crédito caiu de 2,24% para 2,11%, e no débito, de 1,08% para 1,06%. O Pix Automático, usado em cobranças recorrentes, saltou de 4 milhões para 9,5 milhões de transações do 1º para o 2º trimestre.
Outras notícias:
EUA dizem que darão visto a Flávio Bolsonaro, que deixou o Brasil sem entregar o passaporte à PF, segundo aliados.
Receita negou mais de 60% dos pedidos de entrada no Simples Nacional, e o prazo para corrigir termina na sexta.
MUNDO

Governo Trump discute a volta de petrolíferas americanas à Rússia nas negociações para acabar com a guerra na Ucrânia. Segundo o Financial Times, uma das ideias é retomar a sociedade americana no Sakhalin-1, campo de petróleo no extremo leste russo. A ExxonMobil tinha 30% do projeto e saiu em 2022, depois da invasão da Ucrânia. Um funcionário americano disse ao jornal que nada foi fechado e que os negócios só valeriam com o fim da guerra. A próxima reunião entre EUA, Rússia e Ucrânia está prevista para novembro, em Abu Dhabi.
Outras notícias:
Israel apura a eleição em que Netanyahu tenta se manter no poder, com comparecimento de 77,7%, o maior desde 1999.
PARA FICAR DE OLHO
O Fed anuncia os juros americanos às 15h, e o mercado espera manutenção na faixa de 3,75% a 4% ao ano, depois da alta de setembro. Às 15h30, o presidente do Fed, Kevin Warsh, dá entrevista.
O TCU julga às 10h30 o cálculo da alíquota da CBS, o imposto federal sobre o consumo que substitui o PIS e a Cofins a partir de 2027. Depois, o Senado fixa o percentual até 15 de dezembro.
Santander Brasil e Klabin divulgam o balanço do 3º trimestre, e os de Motiva e Intelbras, assim como o relatório de produção e vendas da Petrobras, saem depois do fechamento da bolsa.
Microsoft e Alphabet, dona do Google, divulgam o balanço depois do fechamento da bolsa americana.
FEEDBACK
O que você achou da edição de hoje?
Fazer login ou Inscrever-se participar
SOBRE NÓS

O The Operator é um jornal feito para quem toca uma empresa. Cobrimos os acontecimentos mais importantes do Brasil e do mundo, de política e economia a negócios e tecnologia. Além das notícias, trazemos estudos de caso, estratégias e ideias para ajudar você a tomar melhores decisões.
Você está lendo o The Operator | News, nossa edição diária de notícias, enviada de segunda a sábado, às 7h07.
Até amanhã, às 7h07.
The Operator - O jornal de quem toca uma empresa.