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A Alan, empresa francesa de planos de saúde, avalia comprar a brasileira Alice e trabalha com uma oferta de cerca de R$ 2 bilhões, segundo reportagem da revista Exame publicada em 9 de outubro de 2026. Procurada pela revista, a Alice disse que não comenta rumores de mercado.

De acordo com a Exame, a Alan definiu o Brasil como o próximo país de sua expansão e, nas últimas semanas, levantou informações sobre pelo menos duas empresas do setor, a Alice e a Sami Saúde. Executivos da companhia devem vir ao país nos próximos dias para avançar nas conversas.

Quem é a Alan

A Alan foi fundada em 2016, em Paris, por Jean-Charles Samuelian e Charles Gorintin. A empresa vende planos de saúde para empresas e para pessoas físicas e reúne, em uma mesma plataforma, o plano, o atendimento médico e programas de prevenção.

No fim do segundo trimestre de 2026, tinha cerca de 1,14 milhão de clientes na França, na Espanha, na Bélgica e no Canadá, e 840 milhões de euros em receita anual contratada, cerca de R$ 4,7 bilhões.

Em junho, a Alan captou 480 milhões de euros, cerca de R$ 2,7 bilhões, em uma rodada que a avaliou em 5,5 bilhões de euros, perto de R$ 31 bilhões. O investimento foi liderado pela Prosus, grupo holandês que é dono do iFood. Entre os sócios da empresa estão os jogadores de futebol franceses Kylian Mbappé e Antoine Griezmann e o ex-jogador Blaise Matuidi.

Recentemente, a companhia comprou a Tanel, operadora que atende cerca de 70 mil pessoas no Senegal e na Costa do Marfim.

Quem é a Alice

A Alice vende planos de saúde para pequenas e médias empresas, principalmente as de até 30 funcionários. Cada cliente tem um médico de família, que acompanha o histórico e encaminha para especialistas quando necessário.

A empresa atende mais de 95 mil pessoas e chegou, em julho de 2026, a R$ 1 bilhão em receita anual contratada, quase o dobro de um ano antes. A meta é alcançar R$ 2 bilhões e 160 mil clientes até o fim de 2027.

Segundo a Exame, dois dos principais investidores da Alice, a gestora brasileira Canary e o grupo japonês SoftBank, estariam dispostos a vender suas participações. A Canary foi a primeira investidora da empresa. O SoftBank passou a priorizar empresas de inteligência artificial em seus investimentos na América Latina.

O mercado brasileiro

O modelo da Alan na Europa inclui a venda direta ao consumidor. No Brasil, a maior parte do mercado é de planos coletivos, contratados por empresas e vendidos com a participação de corretores. Os planos individuais têm o reajuste anual limitado pela ANS, a agência que regula o setor, enquanto os coletivos seguem regras próprias, com mais espaço para negociação.

A Exame informa ainda que uma oferta pela Amil, uma das maiores operadoras do país, está descartada pelo tamanho do negócio. A Amil encerrou recentemente conversas com fundos que discutiam comprá-la por cerca de R$ 17 bilhões.