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A Alice, operadora de planos de saúde para pequenas e médias empresas, captou US$ 40 milhões, cerca de R$ 202 milhões, numa rodada Série D anunciada na segunda-feira, 19 de outubro de 2026. O investimento foi liderado pelo IFC (International Finance Corporation), a instituição do Grupo Banco Mundial que investe no setor privado de países em desenvolvimento.

Também entraram na rodada duas instituições financeiras de desenvolvimento europeias, a alemã DEG, do banco público KfW, e a finlandesa Finnfund, além de fundos que já eram sócios da Alice, como Kaszek, ThornTree Capital e Canary. Pela ficha do projeto no site do IFC, a parte da instituição é de até US$ 10 milhões, cerca de R$ 51 milhões, em ações. A Alice não divulgou o valor de mercado atribuído à empresa na rodada.

Fundada em 2019, a Alice vende planos coletivos a empresas, principalmente na Região Metropolitana de São Paulo. Cada cliente tem um médico de família, que acompanha o histórico de saúde e coordena o encaminhamento para especialistas, exames e hospitais. Em outubro, a empresa passou de 100 mil clientes e chegou a R$ 1,2 bilhão em receita recorrente anualizada, alta de 70% sobre 2025, segundo o Pipeline. A meta é chegar a R$ 2 bilhões em 2027.

Para que serve o dinheiro

"Essa rodada é para continuar a nossa estratégia de crescimento. A gente cresce bastante em relação à nossa receita, e isso consome capital", disse ao Pipeline o presidente-executivo e cofundador André Florence, que trabalhou no Goldman Sachs e no Lazard. Segundo ele, a empresa reinveste todo o caixa que gera. Os outros fundadores são Matheus Moraes, que presidiu a 99 até 2018 e hoje é diretor de operações da Alice, e Guilherme Azevedo, criador da rede de clínicas Dr. Consulta.

Parte do plano é o Alice AI, um assistente dentro do aplicativo que deve ser lançado em novembro e já funciona com parte dos clientes. Ele consulta o prontuário e o histórico de cada pessoa, responde dúvidas, verifica a rede credenciada e encaminha o cliente para telemedicina, especialista ou hospital. Segundo o Pipeline, a empresa estuda oferecer o assistente também a quem não é cliente, como forma de atrair novos contratos.

A aposta em inteligência artificial

A Alice quer ser vista como uma empresa de inteligência artificial que opera um plano de saúde. Desde o início de 2026, todo o código da empresa é escrito por agentes de IA, com os engenheiros definindo a arquitetura e revisando o trabalho, segundo a companhia. Para os médicos, uma ferramenta transforma a conversa da consulta num rascunho de prontuário, que o profissional revisa.

Segundo a empresa, o uso de IA no atendimento já reduziu em 18% o custo operacional e em 12,5% o tempo de espera. A meta é levar o custo administrativo para perto de 2% da receita, contra uma média de mercado que a própria Alice estima entre 7,5% e 12%.

"Os modelos de IA estão disponíveis para qualquer empresa. O que não está disponível é o contexto", disse Florence ao Startups. "A Alice é, ao mesmo tempo, o plano, o prontuário e a equipe de cuidado de cada membro."

A saída do SoftBank

É a primeira rodada em ações da Alice desde a Série C, de US$ 127 milhões, cerca de R$ 642 milhões, liderada pelo SoftBank e anunciada em dezembro de 2021. Na época, a empresa vendia planos individuais, tinha cerca de 6 mil clientes e havia levantado US$ 47 milhões, cerca de R$ 238 milhões, nas rodadas anteriores. Em 2025, recebeu mais US$ 22 milhões, cerca de R$ 111 milhões, em notas conversíveis, numa extensão da Série C liderada pela Kaszek, com Globo Ventures e Canary. Essas notas agora viraram ações.

O SoftBank não acompanhou a nova rodada, vendeu parte de sua participação para a Canary e deixou o conselho da Alice. "Eles estão em uma posição conhecida de desinvestimento no Brasil, e por isso eles decidiram não fazer o follow-on na Alice", disse Florence ao Pipeline. A Canary, que acompanha a Alice desde o início, aumentou sua fatia com a compra e fez na Série D seu quarto investimento na empresa.

Em 9 de outubro, a revista Exame informou que a francesa Alan, também de planos de saúde, avalia comprar a Alice e trabalha com uma oferta de cerca de R$ 2 bilhões. Procurada pela revista na ocasião, a Alice disse que não comenta rumores de mercado.