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O preço do aluguel residencial anunciado para novos contratos subiu 7,11% de janeiro a setembro de 2026, segundo o Índice FipeZap, divulgado em 13 de outubro pela Fipe, fundação de pesquisas econômicas ligada à USP, e pelo Grupo OLX, dono dos portais Zap, Viva Real e OLX. No mesmo período, o IPCA, a inflação oficial medida pelo IBGE, subiu 3,95%, e o IGP-M, índice da FGV, 3,45%.

Em 12 meses, a alta do aluguel chega a 9,13%, contra 4,58% do IPCA e 3,34% do IGP-M. Só em setembro, o aumento foi de 0,52%.

O que o índice mede

O FipeZap acompanha os preços pedidos em anúncios de apartamentos prontos para alugar em 36 cidades, entre elas 22 capitais. Ou seja, mostra quanto paga hoje quem está procurando um imóvel para alugar.

O índice não mede o reajuste de quem já tem contrato. Nesse caso, o aluguel é corrigido uma vez por ano pelo índice escolhido no contrato, em geral o IGP-M ou o IPCA. Nos 12 meses até setembro, o IGP-M subiu 3,34% e o IPCA, 4,58%. Ou seja, quem tem contrato corrigido por esses índices teve reajuste bem menor do que a alta dos preços pedidos nos novos anúncios.

A alta está perdendo força

O ritmo mensal vem caindo desde abril. O aumento foi de 1,04% em abril, 0,85% em maio, 0,81% em junho, 0,70% em julho, 0,55% em agosto e 0,52% em setembro. No último mês, a alta do aluguel ficou abaixo da inflação, de 0,82% pelo IPCA e de 1,57% pelo IGP-M.

A desaceleração também aparece na comparação anual. O aluguel subiu 16,55% em 2022, 16,16% em 2023, 13,50% em 2024 e 9,44% em 2025.

"Essa desaceleração pode estar relacionada à redução de espaço para reajustes no aluguel, uma vez que a inflação está mais controlada; à capacidade de pagamento das famílias e às condições de oferta e demanda dos mercados locais", disse ao InfoMoney Mariangela Silva, economista do Grupo OLX.

O aluguel continua subindo mais do que o preço de venda dos imóveis, que avançou 5,51% em 12 meses. Para a economista, os juros altos ajudam a explicar a diferença. "O cenário de juros elevados e condições de financiamento mais restritivas ajuda a explicar a situação do mercado de aluguel, onde parte das famílias opta por permanecer no aluguel, sustentando a demanda por locação", afirmou.

Onde o aluguel é mais caro

Na média das 36 cidades, o aluguel anunciado custa R$ 54,77 por metro quadrado. Entre as capitais, as mais caras são:

  • São Paulo: R$ 65,78 por metro quadrado

  • Recife: R$ 64,39

  • Belém: R$ 62,25

  • Rio de Janeiro: R$ 61,86

  • Florianópolis: R$ 61,81

Considerando todas as 36 cidades, o metro quadrado mais caro é o de Barueri, na Grande São Paulo: R$ 71,96. As capitais mais baratas são Teresina, com R$ 32,59, e Campo Grande, com R$ 32,95.

Os apartamentos de um quarto têm o metro quadrado mais caro, R$ 72,68. Os de três quartos, o mais barato, R$ 47,22.

Onde mais subiu

Todas as 22 capitais tiveram alta nos últimos 12 meses. As maiores foram:

  • Fortaleza: 16,59%

  • Natal: 16,51%

  • Aracaju: 15,52%

  • Rio de Janeiro: 14,80%

  • Vitória: 14,22%

São Paulo subiu 6,22% no período. Entre todas as cidades pesquisadas, a maior alta em 12 meses foi a de Niterói, no Rio de Janeiro, de 20,13%. A única queda foi em Pelotas, no Rio Grande do Sul, de 2,68%.

No acumulado de 2026, a liderança é de Campo Grande, com 16,91%, seguida por Natal (14,36%), Aracaju (13,39%) e Fortaleza (12,49%). Entre os tipos de imóvel, os de dois quartos tiveram a maior alta em 12 meses, de 10,15%.

Quanto rende alugar um imóvel

O relatório também calcula a rentabilidade do aluguel, comparando o valor do aluguel com o preço de venda do imóvel. Em setembro, ela foi estimada em 6,13% ao ano, em média. Isso significa que um apartamento avaliado em R$ 500 mil renderia cerca de R$ 30.650 por ano em aluguel, antes de impostos, taxas e períodos sem inquilino. Segundo a Fipe, essa taxa está abaixo dos juros reais, já descontada a inflação, projetados para os próximos 12 meses.

Entre as capitais, o retorno é maior em Recife (8,30% ao ano), Cuiabá (8,18%), Belém (8,15%) e Natal (8,03%), e menor em Vitória (4,22%). Em São Paulo, fica em 6,43%. Os imóveis de um quarto rendem mais, 6,74% ao ano, e os de quatro quartos ou mais, menos, 4,86%.