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O Campari Group, fabricante italiano de bebidas dono das marcas Campari e Aperol, lançou no Brasil uma versão pronta para beber do Aperol Spritz, drinque que mistura o Aperol, aperitivo italiano de cor laranja, com espumante e água com gás e que ganhou espaço entre os brasileiros nos últimos anos. O lançamento foi anunciado em 15 de outubro de 2026.

A bebida vem em garrafa long neck de 275 ml, tem 5% de álcool e preço sugerido de R$ 12,90. É feita com vinho branco, Aperol e água com gás, e foi pensada para ser tomada gelada, direto da garrafa, sem gelo e sem nenhum preparo.

O Brasil é o primeiro país a receber o drinque nesse formato. Na Europa, a marca já vende versões prontas em lata ou em garrafas pequenas, que precisam ser servidas em taça com gelo.

Como vai ser vendido

Num primeiro momento, o Aperol Spritz pronto será vendido pela internet, na Amazon, no Mercado Livre e nos aplicativos do Carrefour e do Sonda, rede de supermercados paulista, para consumidores de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraná. A partir de novembro, o produto chega ao varejo físico.

A bebida é produzida no Brasil. Segundo o Pipeline, do Valor, o Aperol vendido no país é feito a partir de uma infusão de mais de 30 ervas trazida da Itália. A etapa final acontece em Suape, na região metropolitana do Recife, fábrica por onde passam todas as bebidas que a Campari vende no país.

A Campari investiu cerca de R$ 20 milhões no lançamento, parte dos mais de R$ 100 milhões que o grupo destinou ao Brasil em 2026. Já existiam no mercado brasileiro versões prontas do drinque feitas por outras empresas, sem a marca Aperol, mas esta é a primeira produzida pela própria Campari.

Por que o Brasil

O Brasil é o quinto maior mercado do grupo no mundo, e a ideia do produto saiu de pesquisas com consumidores brasileiros. "O consumidor gosta do drink mas ainda tem dificuldade com o preparo. Às vezes, não sabe a receita, as proporções certas, não tem tudo em casa. Levamos essa necessidade para o time global e eles toparam lançar", disse ao Pipeline Amanda Capucho, presidente do Campari Group no Brasil.

Segundo ela, a operação brasileira cresceu em média 20% ao ano nos últimos três anos, e o Aperol, 50% ao ano no mesmo período. No primeiro semestre de 2026, as vendas do grupo no país subiram 2,3%, puxadas principalmente pelo Aperol, de acordo com o balanço da companhia.

A aposta agora é levar a bebida a regiões onde ela ainda é pouco consumida, como o Norte e o Centro-Oeste. "É uma bebida mais leve, tem baixa caloria e está associada a compartilhar momentos com os amigos, por isso tem boa adesão com brasileiros", afirmou a executiva. Segundo ela, outros países já demonstraram interesse no produto, mas a decisão sobre novos lançamentos cabe à matriz, na Itália.

O Grupo Campari

A empresa nasceu em 1860, em Milão, com o Campari, aperitivo amargo de cor vermelha que deu nome ao grupo e que hoje vende mais no Brasil do que na Itália. Com o tempo, o portfólio cresceu e passou a incluir uísques, tequilas, rum e conhaque.

No primeiro semestre de 2026, o grupo vendeu 1,51 bilhão de euros, cerca de R$ 8,5 bilhões. O Aperol é a principal marca do grupo: respondeu por 29% das vendas no período, com 438 milhões de euros, cerca de R$ 2,5 bilhões, mais que o dobro dos 166 milhões de euros do Campari. O Brasil representou 4,4% da receita global.

No mercado brasileiro de destilados, o grupo tem 8% de participação, segundo a própria companhia. A liderança é da britânica Diageo, dona do Johnnie Walker e da Smirnoff, e da francesa Pernod Ricard, dona da Absolut. O grupo, que era o oitavo em 2022, hoje disputa o terceiro lugar com a americana Brown-Forman, dona do Jack Daniel's. "Não queremos fazer guerra de preços, mas construir marcas e atender às necessidades dos consumidores", disse Capucho.

O mercado de drinques prontos

As bebidas prontas para beber, chamadas no setor de RTD (sigla em inglês para "ready to drink"), são uma das categorias que mais crescem no mercado de bebidas alcoólicas. Segundo a consultoria Euromonitor, citada pelo Brazil Journal, o volume vendido no Brasil cresceu 32% entre 2019 e 2024 e deve crescer mais 28% até 2029. No mesmo intervalo de 2019 a 2024, os destilados cresceram 7%.

Ainda assim, a categoria é pequena no país. Segundo a Diageo, os drinques prontos representam cerca de 2% do mercado brasileiro de bebidas alcoólicas, contra cerca de 10% nos Estados Unidos e na Austrália.