A Apple encerrou esta sexta-feira, 30 de outubro de 2026, como a empresa mais valiosa do mundo, com valor de mercado de US$ 5,03 trilhões, cerca de R$ 27,3 trilhões. A Nvidia, que estava na frente até a véspera, fechou em US$ 4,93 trilhões, cerca de R$ 26,7 trilhões. A troca aconteceu num dia de queda para as duas: a ação da Apple perdeu 1,23%, a US$ 344,63, e a da Nvidia, 4,22%, a US$ 204,64. O próximo pregão em Nova York será na segunda-feira, 2 de novembro.
As duas empresas chegaram a esse ponto por caminhos opostos. A Nvidia vende os chips usados para treinar e rodar modelos de inteligência artificial, e sua receita mais que dobrou em um ano com a corrida das grandes empresas de tecnologia por data centers. A Apple, dona do iPhone, do Mac e de uma operação de serviços que fatura cerca de US$ 30 bilhões por trimestre, aproximadamente R$ 167 bilhões, gasta muito menos nessa corrida.
Por que a Nvidia caiu
A queda da Nvidia veio de fora da empresa. Na quinta-feira, 29 de outubro, a Intel, fabricante americana de processadores, previu receita de US$ 15 bilhões a US$ 16 bilhões para o quarto trimestre, cerca de R$ 81 bilhões a R$ 87 bilhões. Segundo a Reuters, a previsão ficou mais de US$ 1 bilhão, cerca de R$ 5,4 bilhões, abaixo das estimativas do mercado, e a empresa disse não esperar fluxo de caixa positivo neste ano. A ação da Intel fechou a sexta em queda de 28,58%.
A venda se espalhou pelo setor. O índice de semicondutores da Bolsa da Filadélfia, que reúne as principais empresas de chips negociadas nos Estados Unidos, perdeu 7,20%. A AMD caiu 10,88%, e a Qualcomm, 11,12%.
No mesmo dia da Intel, a Amazon divulgou um balanço que reforçou a dúvida sobre o custo da corrida por IA. A empresa gastou US$ 175,7 bilhões, cerca de R$ 952 bilhões, em propriedades e equipamentos de janeiro a setembro, e seu fluxo de caixa livre de 12 meses virou uma saída de US$ 42,4 bilhões, cerca de R$ 230 bilhões. A companhia ainda sinalizou investimentos maiores em 2027, segundo a Reuters. Segundo a Barron's, os balanços de Amazon e Intel assustaram os investidores por causa do fluxo de caixa, e a Nvidia, que fez US$ 89 bilhões de sua receita do último trimestre com data centers, cerca de R$ 482 bilhões, caiu junto com as demais empresas de chips.
Na sexta, a ação da Nvidia fechou 14,5% abaixo do fechamento de 6 de outubro, de US$ 239,24. Em outubro, perdeu 10,39%, o pior mês desde novembro de 2025, quando caiu 12,59%. A da Apple subiu 3,49% no mês.
Por que a Apple resistiu
"A Apple retomou o título de empresa mais valiosa do mundo na sexta-feira, tirando-o da Nvidia, enquanto investidores buscam a segurança percebida da fabricante do iPhone em meio às preocupações com os gastos em inteligência artificial", escreveu a Bloomberg.
Nos nove primeiros meses do ano fiscal, encerrados em junho, a Apple gastou US$ 6,8 bilhões, cerca de R$ 36,9 bilhões, em propriedades e equipamentos, menos que os US$ 9,5 bilhões, cerca de R$ 51,4 bilhões, do mesmo período do ano anterior. Segundo a Bloomberg, o fluxo de caixa livre da empresa deve crescer 38%, para US$ 142 bilhões, cerca de R$ 770 bilhões, no ano fiscal encerrado em setembro, enquanto Alphabet e Amazon viram o seu ficar negativo. A ação sobe 27% em 2026, mais que o dobro da alta da Nvidia, e é a segunda melhor entre as sete gigantes de tecnologia americanas.
A disputa desde o ano passado
A Nvidia havia tomado o primeiro lugar da Microsoft em junho de 2025 e ficou nele por cerca de 13 meses, segundo a CNBC. A Apple, que não liderava desde abril de 2025, passou à frente em 27 de julho de 2026, mas ficou lá por pouco tempo.
Em 30 de julho, ela divulgou o balanço do trimestre encerrado em junho, com receita recorde para o período, de US$ 109,4 bilhões, cerca de R$ 593 bilhões, alta de 16%, e lucro de US$ 29,8 bilhões, cerca de R$ 161 bilhões. Na teleconferência, previu crescimento de 9% a 11% da receita no trimestre seguinte e margem bruta de 47% a 48%, abaixo dos 50,1% do trimestre, que incluíram cerca de dois pontos de restituição de tarifas. A empresa atribuiu a pressão ao preço dos chips de memória, que disparou com a demanda de IA, e o então presidente-executivo, Tim Cook, falou numa "enchente de 100 anos" nesse mercado. No dia seguinte, a ação caiu 7,35%, e a Nvidia voltou a terminar os pregões à frente, posição que manteve até a quinta-feira, 29 de outubro.
A Nvidia, por sua vez, publicou em 26 de agosto o balanço do trimestre encerrado em julho: receita de US$ 96,2 bilhões, cerca de R$ 522 bilhões, alta de 106% em um ano, e lucro de US$ 59,7 bilhões, cerca de R$ 324 bilhões. Para o trimestre encerrado em 25 de outubro, previu receita de US$ 108 bilhões, cerca de R$ 585 bilhões, sem contar vendas de chips de data center para a China.
O que vem agora
A Apple divulga os resultados do quarto trimestre fiscal na segunda-feira, 2 de novembro, os primeiros com John Ternus como presidente-executivo. Ele assumiu o cargo em 1º de setembro, quando Cook passou a presidir o conselho de administração. A Nvidia marcou a teleconferência sobre o trimestre para 17 de novembro.
Fontes: Apple, balanço na SEC · Apple, formulário 10-Q · Apple, troca de comando na SEC · Nvidia, balanço na SEC · Nvidia, teleconferência · Intel, balanço na SEC · Amazon, balanço na SEC · Bloomberg, via Yahoo Finance · CNBC, julho · Reuters, via Investing.com · Barron's · Apple, teleconferência (transcrição, Investing.com) · Apple, data do balanço, via 9to5Mac
