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A Bedrock Robotics, startup americana que desenvolve sistemas para máquinas pesadas de construção trabalharem sozinhas, anunciou na segunda-feira, 26 de outubro de 2026, uma rodada Série C de US$ 600 milhões, cerca de R$ 3,25 bilhões. O aporte avalia a empresa em US$ 4,1 bilhões, cerca de R$ 22,2 bilhões, já contando o dinheiro novo.

A rodada foi liderada pela CapitalG, fundo de investimento da Alphabet, dona do Google, e pela gestora americana Emergence Capital. Entraram como novos investidores o US Innovative Technology Fund, a Bessemer Venture Partners e a Temasek, de Cingapura. Quem já era sócio também participou, entre eles 8VC, Georgian, Valor Equity Partners, Xora, Eclipse, Perry Creek Capital e Nvidia.

Fundada em 2024, em San Francisco, a Bedrock soma agora quase US$ 1 bilhão captado, cerca de R$ 5,4 bilhões. Saiu do anonimato em julho de 2025, com US$ 80 milhões, cerca de R$ 434 milhões, e, em fevereiro de 2026, levantou US$ 270 milhões, cerca de R$ 1,46 bilhão, numa avaliação de US$ 1,75 bilhão, cerca de R$ 9,5 bilhões, segundo a Bloomberg. Em menos de nove meses, portanto, o valor da empresa mais do que dobrou.

A startup é comandada por ex-engenheiros da Waymo, a empresa de táxis sem motorista que também pertence à Alphabet. O cofundador e presidente-executivo, Boris Sofman, dirigiu o programa de caminhões autônomos da Waymo, já encerrado, e antes cofundou a Anki, fabricante do robô Cozmo, que fechou em 2019. Os outros cofundadores são Kevin Peterson e Ajay Gummalla, também vindos da Waymo, e Tom Eliaz, que passou pela Segment e pela Twilio.

Como funciona

O produto, chamado Bedrock Operator, é um conjunto de sensores, como lidar e GPS, e computadores que pode ser instalado em máquinas pesadas que já existem, o que o setor chama de retrofit. Segundo a empresa, a instalação leva um dia e não exige alterações permanentes na máquina. O responsável pela obra define o plano inicial, e o software, treinado com dezenas de milhares de horas de trabalho de campo, cuida da escavação.

Em meados de agosto de 2026, a Bedrock passou dos testes com supervisão humana para o trabalho pago sem ninguém na máquina. Hoje as escavadeiras operam numa estação de tratamento de água em Nevada, com a Sundt Construction, numa obra de terraplenagem da Champion Site Prep no Texas e num projeto da Zachry Construction que prevê mover 1,2 milhão de jardas cúbicas de terra, cerca de 917 mil metros cúbicos.

Nessas obras, as máquinas são escavadeiras novas que a própria Bedrock equipou e testou em suas instalações. Em setembro, a empresa disse à Fox News que ainda não tinha novidades sobre quando o sistema começará a operar nos equipamentos que as construtoras já têm.

A autonomia também não dispensa supervisão. Se uma máquina encontra algo incomum ou fica travada, alguém que acompanha a frota pode intervir por pouco tempo, o que a empresa descreve como relativamente raro. Se uma pessoa ou um objeto não autorizado chega perto demais, a escavadeira para sozinha e só retoma o trabalho quando a área fica livre. Em agosto, segundo um porta-voz, a produtividade já estava "perto do nível humano", medida pelo volume de terra movido por turno.

A falta de operadores

A aposta está na escassez de mão de obra. Segundo a Bedrock, leva cinco anos ou mais para dominar uma escavadeira. A Associated Builders and Contractors, associação de construtoras dos Estados Unidos, estima que mais de 40% dos trabalhadores do setor vão se aposentar nos próximos cinco anos. O comunicado da rodada diz que 87% das construtoras têm vagas abertas para funções operacionais e que, para 88% delas, essas vagas estão tão difíceis de preencher quanto há um ano, ou mais.

Para Sofman, a conta que interessa ao contratante é o prazo. Ao site The Robot Report, ele deu o exemplo de uma obra concluída dois meses antes porque as máquinas trabalham o tempo todo, sete dias por semana: um incorporador que paga juros de 9% sobre um empréstimo de US$ 400 milhões, cerca de R$ 2,2 bilhões, economizaria US$ 6 milhões, cerca de R$ 33 milhões.

A empresa sustenta que a tecnologia não elimina a função. "Não esperamos que os operadores sejam substituídos de forma alguma", disse um porta-voz à Fox News. No plano da Bedrock, as máquinas trabalham ao lado das equipes atuais, e parte dos operadores experientes passa a supervisioná-las.

Os clientes

Segundo a Bedrock, o volume de clientes mais do que dobrou desde 2025. A novidade anunciada com a rodada é a Haydon, construtora de Tempe, no Arizona, que pertence inteiramente aos funcionários e está entre as maiores do sudoeste americano. Ela vai usar o sistema na movimentação de terra de uma obra remota no Texas e planeja levá-lo a projetos de fábricas, transporte, saneamento, data centers e hospitais.

Os outros contratos novos levam a operação, até agora concentrada no oeste e no centro-sul do país, ao meio-oeste e à costa sudeste: Wagner Construction, em Minnesota; Smith Trucking Company, na Flórida; B&S Site Development, na Virgínia; Native Excavating, no Colorado; Clarkson Construction, no Missouri; C.W. Matthews, na Geórgia; e projetos da ArchKey Solutions, no Arkansas.

O destino do dinheiro

O dinheiro vai para colocar mais máquinas nas obras e para montar as equipes de campo e de operação que as mantêm funcionando. Para isso, a empresa contratou Amy Jones Satrom, que passou por Amazon, Nuro e Uber, como vice-presidente de operações, e Lando Juarez, ex-chefe jurídico do negócio de veículos autônomos e entregas da Uber, como diretor jurídico.

A Haydon vai testar a abertura de valas, e a Bedrock estuda automatizar tratores de esteira, caminhões articulados e pás carregadeiras. No longo prazo, Sofman mira a mineração e a agricultura, que têm falta de mão de obra e usam máquinas parecidas.

A Bedrock não diz quantas máquinas tem em operação. "É um pouco cedo para dar números concretos", afirmou Sofman ao The Robot Report. A meta para 2027 é chegar a três dígitos, ou seja, a pelo menos cem máquinas trabalhando de forma autônoma nos Estados Unidos.