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O Brasil chegou a 166,8 milhões de animais de estimação, alta de 2,33% sobre 2024. É a terceira maior população pet do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China, que passa de 438 milhões.

O setor faturou R$ 77,96 bilhões em 2025 e projeta R$ 81 bilhões em 2026, crescimento de 4,35%. Os dados são do estudo Faturamento e População Pet no Mundo 2026, da Abempet, associação que representa a indústria do setor.

Quem são esses 166,8 milhões

A composição reserva surpresas.

Os cães lideram, com 62,5 milhões. Em segundo lugar não vêm os gatos: vêm as aves ornamentais, com 44,3 milhões. Os gatos aparecem em terceiro, com 33,3 milhões, seguidos por 23,6 milhões de peixes ornamentais e 3,1 milhões de répteis e pequenos mamíferos.

Há um movimento embutido nesse número. Enquanto a população pet total cresceu 2,33%, a de gatos avançou 4,5%, quase o dobro. É o tipo de dado que antecipa mudança de demanda, porque gato e cachorro consomem produtos e serviços diferentes, e ocupam casas diferentes: o gato cresce onde o espaço é menor e o tutor passa o dia fora.

Mais da metade do setor é ração

O pet food responde por R$ 42,9 bilhões, ou 52,8% do faturamento total.

Isso significa que o setor pet, apesar da imagem de serviços e mimos, é majoritariamente um negócio de alimento. Todo o resto, somado, não chega à metade.

O setor consolidou, mas o independente segurou metade

Aqui está o dado mais relevante para quem opera no varejo.

O mercado passou pela maior consolidação da sua história. Em janeiro, depois de aprovação do Cade com restrições, Petz e Cobasi concluíram a fusão e criaram a União Pet, que estreou na B3 sob o ticker AUAU3. O Cade exigiu a venda de 26 lojas em São Paulo, equivalentes a 3,3% do faturamento combinado, e impôs um acordo de controle de concentração. A Petlove, terceira colocada, recorreu alegando que a nova empresa ficaria 30 vezes maior que ela, e o recurso foi negado.

A União Pet faturou R$ 7,7 bilhões até setembro do ano passado. Diante de um setor de R$ 81 bilhões, isso é menos de 10% do mercado.

Enquanto isso, pet shops de pequeno e médio porte respondem por R$ 39 bilhões, ou 48% do faturamento. Clínicas e hospitais veterinários vêm depois, com R$ 14 bilhões, 17,3% do total.

Ou seja: o maior grupo do país nasceu da união das duas maiores redes e ainda assim não chega a um décimo do setor. Quase metade do dinheiro continua passando por operação independente, de bairro, sem bandeira nacional.

É um mercado grande, em crescimento e ainda pulverizado, que é a combinação que costuma atrair capital. A consolidação está longe de terminar.

De onde vem o crescimento

Vale cruzar dois números do próprio estudo.

A população de animais cresceu 2,33%. O faturamento deve crescer 4,35%. A diferença entre os dois indica que o avanço do setor não vem só de mais bichos: vem de gasto maior por animal, seja por aumento de preço, seja por migração para produtos e serviços mais caros.

Para quem vende, é uma informação prática. O espaço de crescimento está menos em conquistar tutor novo e mais em ampliar o que cada tutor já gasta.

A conta que o setor quer discutir

A Abempet aproveitou a divulgação para levantar o tema tributário, e o número que apresentou é o mais forte do estudo.

A carga do setor pet no Brasil é de 51%. Nos Estados Unidos fica entre 8% e 10%. Na União Europeia, entre 15% e 18%.

"O ambiente tributário impede que esse potencial se converta em mais investimentos, maior consumo e expansão produtiva", disse Caio Villela, CEO da entidade.

O número vem da associação que representa a indústria, parte interessada direta no debate, e serve a uma agenda declarada. Isso não o invalida, mas situa de onde ele parte.

O que o Brasil exporta

As exportações do setor cresceram 12% no primeiro semestre.

A composição mostra onde está a competitividade brasileira: pet food responde por 89% do que sai do país. Pet care fica com 9%, e animais vivos com 1,5%.

O Brasil exporta ração. Serviço e produto de maior valor agregado ficam no mercado interno.

O que não foi divulgado

O estudo não abre o número de empresas do setor, os empregos gerados, a participação do e-commerce, o ticket médio por animal nem a quebra do faturamento de serviços como banho, tosa e hospedagem. Também não há dado consolidado sobre a fatia do faturamento que já passa por canal digital.