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A Cimed, farmacêutica brasileira que fabrica remédios e produtos vendidos em farmácia, como o antigripal Cimegripe, as vitaminas Lavitan e o hidratante labial Carmed, vai entrar no mercado de skincare. A empresa anunciou em 12 de outubro de 2026 a Mili, sua primeira marca nesse segmento, com sete produtos fabricados na Coreia do Sul. O investimento é de R$ 80 milhões, e os produtos devem chegar às farmácias nos próximos meses.

Fundada em 1977 pelo pai do atual presidente-executivo, João Adibe, a Cimed faturou R$ 3,07 bilhões em 2025, alta de 12,5% sobre o ano anterior, segundo o InvestNews. O lucro caiu 30%, para R$ 196,7 milhões. A empresa diz atender diretamente mais de 90 mil pontos de venda e estar presente em mais de 98% das farmácias do país.

Com a Mili, a expectativa é faturar R$ 150 milhões no primeiro ano de vendas. O lançamento aposta na K-beauty, nome dado aos cosméticos sul-coreanos, conhecidos pela tecnologia e por rotinas de cuidado com a pele mais elaboradas, que se espalharam pelo mundo.

Os produtos

A linha tem sete itens, de limpeza, hidratação e tratamento da pele: Exo Cleanser, Exo Toner, Exo Mist, Exo Sérum, Exo Cream, Exo Eye Cream e Exo Shot. Todos levam exossomos e peptídeos, dois ingredientes em alta nos cosméticos coreanos.

Os produtos são feitos em parceria com a fabricante sul-coreana GDK Cosmetics, segundo a Exame, e a venda e a distribuição no Brasil ficam com a própria Cimed. "Não é simplesmente um produto importado pronto. É um produto feito exclusivamente para a Cimed, com tecnologia coreana e adequado às normas da Anvisa", disse Adibe à revista.

Antes de escolher o fornecedor, equipes da empresa passaram três meses visitando 18 cidades na Coreia do Sul, na China, em Taiwan e no Japão e mapearam mais de 60 fabricantes. A marca foi apresentada durante a Missão Coreia 2026, viagem a Seul organizada pela Cimed com mais de 200 pessoas, entre executivos da empresa, representantes de redes de farmácias e profissionais de estética.

Os preços e a venda

Os preços vão de R$ 70 a R$ 200, abaixo da faixa cobrada por parte das marcas importadas vendidas no país. "Um dos maiores erros das marcas é a precificação no lançamento", disse Adibe ao InfoMoney. "Entendemos qual era a camada em que tínhamos que flutuar: entre R$ 70 e R$ 200. Queremos ser a fast fashion da categoria."

Segundo o executivo, a Mili não vai disputar espaço com as marcas de dermocosméticos já estabelecidas nas farmácias. "Não vou competir com La Roche ou Vichy. É um novo mercado, uma segmentação distinta", afirmou.

A venda será concentrada nas farmácias, que devem responder por 80% da operação, e em perfumarias. Parte dos R$ 80 milhões vai para estoque, marketing, ações nas lojas e treinamento de quem vende. "Não adianta fazer marketing se não prepararmos os pontos de venda", disse Adibe à Exame. "É um produto que precisa de demonstração."

O plano é lançar uma nova linha no primeiro trimestre de 2027 e seguir com lançamentos a cada três meses, até chegar a 100 produtos no fim de 2027.

A ligação com a Coreia

A aproximação da Cimed com a Coreia começou há mais de cinco anos por causa de outro negócio, a Milimetric, marca de produtos injetáveis para procedimentos estéticos, como os preenchedores à base de ácido hialurônico. A Cimed já investiu R$ 200 milhões na Milimetric, que faturou R$ 150 milhões em 2025 e deve chegar a R$ 400 milhões em 2026. A meta é alcançar R$ 2 bilhões em cinco anos.

A ideia é oferecer as duas marcas aos mesmos profissionais de estética. "Já estou visitando esses profissionais para colocar a Mili como o cuidado após a aplicação do preenchedor", disse Adibe.

O avanço da K-beauty no Brasil

As importações brasileiras de cosméticos sul-coreanos cresceram 951% em 2025 e chegaram a US$ 54,36 milhões, cerca de R$ 272 milhões, segundo o serviço de alfândega da Coreia do Sul.

A oferta também cresceu. Segundo a consultoria Circana, o Brasil tem mais de 40 marcas coreanas à venda, contra 28 em 2023, com preços que vão de R$ 24 a R$ 515. Marcas como COSRX, TIRTIR e Beauty of Joseon já estão em redes de beleza como a Sephora, e o comércio eletrônico responde por 25% das vendas de K-beauty acompanhadas pela consultoria.