A DeepSeek, empresa chinesa de inteligência artificial conhecida por modelos abertos e de baixo custo, levantou cerca de 100 bilhões de yuans, o equivalente a US$ 15 bilhões ou cerca de R$ 75,5 bilhões, em sua nova rodada de investimento, segundo a Bloomberg, que publicou a informação em 22 de outubro de 2026. A agência Reuters confirmou o valor com quatro pessoas a par do negócio e informou que a captação deve ser concluída nos próximos dias, mas que os números e a lista de investidores ainda podem mudar. A DeepSeek não comentou.
Antes do dinheiro novo, a empresa foi avaliada em 500 bilhões de yuans, cerca de US$ 75 bilhões ou R$ 377 bilhões, segundo a Reuters. A meta inicial era captar 50 bilhões de yuans e foi elevada pelo menos duas vezes, para 80 bilhões e depois para 100 bilhões, de acordo com a Bloomberg. Em junho, na primeira rodada com investidores de fora, a DeepSeek tinha levantado US$ 7,4 bilhões, cerca de R$ 37 bilhões, e registros de dois investidores indicaram uma avaliação de 350,88 bilhões de yuans, cerca de US$ 52 bilhões. Em quatro meses, o valor da empresa subiu mais de 40%.
Quem é a DeepSeek
A DeepSeek foi fundada em 2023 em Hangzhou por Liang Wenfeng, cofundador do High-Flyer, fundo que usa modelos matemáticos e computadores para decidir suas operações no mercado financeiro e que bancou o início da empresa. Liang mantém cerca de 81,6% da operação chinesa da companhia, segundo dados societários analisados pela consultoria WireScreen e citados pelo TechCrunch.
A empresa publica seus modelos com pesos abertos, ou seja, qualquer companhia pode baixá-los e rodá-los nos próprios servidores. Ficou conhecida no mundo em janeiro de 2025, quando lançou o R1, um modelo de raciocínio gratuito que rivalizava com os americanos e foi desenvolvido a um custo bem menor. O lançamento provocou uma onda de vendas de ações de tecnologia, e a Nvidia chegou a perder cerca de US$ 590 bilhões em valor de mercado num único dia. O modelo mais recente, o DeepSeek-V4.1-Flash, saiu em setembro de 2026.
Os investidores
Segundo a Reuters, a CATL, maior fabricante de baterias para carros elétricos do mundo, e a Tencent, dona do WeChat, que já eram sócias da DeepSeek, estão entre os maiores investidores da rodada. Também entraram a fabricante de chips GigaDevice, o aplicativo de entregas Meituan, a montadora Geely, a fabricante de eletrodomésticos Midea, a empresa de jogos e internet NetEase e as gestoras Boyu Capital, CPE, Legend Capital e IDG Capital. Ao todo, são mais de 15 investidores.
"Dado que eles (os investidores) são todos chineses e fornecedores críticos de componentes, consigo ver a própria DeepSeek se tornando uma parte central dessas cadeias de suprimento de tecnologia domésticas", disse à Reuters Lian Jye Su, analista-chefe da consultoria Omdia.
A distância para as americanas
Mesmo com o aporte, a DeepSeek segue com muito menos dinheiro do que as líderes americanas. A OpenAI e a Anthropic já captaram mais de US$ 100 bilhões, cerca de R$ 504 bilhões, cada uma, segundo a Bloomberg. A chinesa vem aumentando os gastos com data centers e com modelos abertos para o mercado interno e o externo.
A disputa também passa pelos chips. Os Estados Unidos restringem a venda dos processadores mais avançados da Nvidia para a China, e a DeepSeek se aproximou dos fabricantes chineses. Em abril de 2026, lançou o V4, ajustado especificamente para os chips Ascend, da Huawei, e admitiu que as limitações de capacidade vão continuar até a produção desses chips ganhar escala, segundo a Reuters.
A proibição nos Estados Unidos
A rodada veio dois dias depois de o governo americano formalizar uma restrição à empresa. Na terça-feira, 20 de outubro, o Departamento de Segurança Interna publicou no Federal Register, o diário oficial do governo federal americano, uma ordem que exclui os produtos da Hangzhou DeepSeek das compras das agências civis federais e manda retirar dos sistemas dessas agências tudo o que for da DeepSeek, inclusive produtos de terceiros desenvolvidos com a tecnologia dela.
A ordem foi assinada pelo secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, numa carta de 26 de junho, segundo o site CyberScoop, e se baseia numa lei de 2018 que permite ao governo barrar fornecedores considerados um risco para a cadeia de suprimentos federal.
A abertura de capital
Com o dinheiro, a DeepSeek se aproxima da bolsa. Em setembro, segundo a Reuters, a empresa contratou o banco de investimento Citic Securities para preparar uma possível listagem no STAR Market, o segmento de empresas de tecnologia da Bolsa de Xangai. No mesmo mês, contratou o ex-investidor de venture capital Yan Wentao como diretor financeiro, segundo o Wall Street Journal, que afirma que a meta é estrear na bolsa no início de 2027.
Duas concorrentes chinesas já estão na bolsa. A Zhipu AI e a MiniMax, que desenvolvem modelos de linguagem, abriram capital em Hong Kong em janeiro de 2026, e as ações das duas caíram fortemente desde o pico do início do ano, segundo a Reuters.
