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A ação do Magazine Luiza fechou a sexta-feira, 23 de outubro de 2026, a R$ 12,69 na B3, alta de 70,1% em outubro. No fim de setembro, valia R$ 7,46. O pico do mês foi na terça-feira, 20, quando o papel subiu 14,79% num só pregão e fechou a R$ 13,58, 82% acima do fim de setembro. Nos três pregões seguintes, recuou 6,6%.

O Magazine Luiza é uma das maiores varejistas do país. Tem quase 1.250 lojas em 19 estados e no Distrito Federal, vende pela internet com estoque próprio e por meio de um marketplace com mais de 360 mil vendedores, e é dono da Netshoes, do KaBuM!, da Época Cosméticos, da Estante Virtual e do aplicativo de delivery aiqfome. Em 2025, as vendas totais somaram R$ 64,7 bilhões. Pelo fechamento de sexta, a empresa vale cerca de R$ 9,85 bilhões na bolsa.

De onde a ação saiu

A alta de outubro vem depois de meses de queda. A ação terminou 2025 a R$ 8,94 e chegou a R$ 3,88 em 20 de agosto, o menor fechamento do ano, quando a empresa valia cerca de R$ 3 bilhões. A perda no período foi de 57%.

No segundo trimestre, o Magalu teve prejuízo de R$ 72,5 milhões, e as vendas totais caíram 5,1%, para R$ 14,5 bilhões. As lojas físicas cresceram 10,3%, mas o comércio eletrônico encolheu 11,9%. Os juros altos pesaram: o resultado financeiro foi negativo em R$ 572,3 milhões no trimestre.

A crise da Casas Bahia

A recuperação começou em agosto, com a crise da principal concorrente. Em 16 de agosto, o Grupo Casas Bahia, que vende eletrodomésticos, eletrônicos e móveis sob as marcas Casas Bahia e Ponto, pediu recuperação judicial em São Paulo, com dívida declarada de R$ 17,3 bilhões. No mesmo mês, fechou 298 lojas, quase 30% da rede, e demitiu cerca de 1.900 funcionários, segundo a Bloomberg Línea. Na véspera do pedido, a ação do Magalu valia R$ 3,91.

O mercado passou a calcular quanto da venda da rival pode migrar para o Magalu. O Itaú BBA estima que a varejista pode ganhar mais de R$ 7,5 bilhões em receita e mais de R$ 300 milhões em lucro em 2027 e que as vendas nas lojas abertas há mais de um ano tenham crescido de 15% a 19% em setembro, contra 9,7% no segundo trimestre. "Somos o player mais capacitado para capturar essa venda que vai ficar no mercado devido ao fechamento das lojas da Casas Bahia", disse à Exame Fabrício Garcia, vice-presidente de operações do Magalu.

Os acordos com os marketplaces

Ao mesmo tempo, o Magalu passou a vender seus produtos dentro das plataformas concorrentes. Depois da Amazon, em junho, fechou acordo com o Mercado Livre, anunciado em 2 de setembro, dia em que a ação subiu 16,88%. Em 15 de outubro, começou a vender na Shopee, que é acessada por cerca de 90 milhões de brasileiros por mês, segundo o comunicado da empresa. Na Shopee, o Magalu oferece itens do próprio estoque, como eletrodomésticos, móveis e produtos de informática, e a entrega fica com o Magalog, seu operador logístico.

"Estamos agregando audiência em diferentes canais digitais para alcançar ainda mais clientes e ampliar as nossas vendas de forma acelerada e rentável", disse Garcia no anúncio da parceria com a Shopee. Em setembro, mês do acordo com o Mercado Livre e o primeiro completo depois do pedido da Casas Bahia, a ação subiu 55,1%.

Juros e eleição

Em outubro, a alta ganhou um novo motor: a queda dos juros futuros depois do primeiro turno da eleição presidencial, em 4 de outubro. Na segunda-feira seguinte, o Ibovespa subiu 7,70% e a ação do Magalu, 24,2%. O contrato de juros futuros com vencimento em janeiro de 2029 caiu de 13,75% para 12,65% ao ano nesse pregão, segundo o InfoMoney.

Segundo analistas ouvidos pelo InfoMoney, o mercado reagiu às pesquisas que mostram o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno e à aposta de que um novo governo teria mais chance de controlar as contas públicas, o que abriria espaço para juros menores. A Selic está em 13,75% ao ano desde 17 de setembro.

Os bancos revisaram suas recomendações. Em 13 de outubro, o Itaú BBA passou a recomendar a compra da ação e subiu o preço-alvo de R$ 10 para R$ 16 até o fim de 2027. "O Magalu é, possivelmente, o ativo mais sensível às taxas de juros em nossa cobertura", escreveram os analistas, que calculam que cada ponto percentual a menos na curva de juros aumenta em 11% o lucro por ação.

Na segunda-feira, 19 de outubro, foi a vez do Citi, que elevou a recomendação de neutra para compra. O banco reduziu em cerca de 1,5 ponto percentual o custo de capital usado nas projeções, por causa da queda dos juros longos, e apontou o Magalu como o maior beneficiado pela mudança entre as empresas que acompanha. No dia seguinte veio a alta de 14,79%.

A reta final

Nos últimos dias, a ação devolveu parte dos ganhos. Na quarta-feira, 21, a pesquisa Quaest mostrou empate técnico entre Flávio Bolsonaro, com 45% das intenções de voto, e Lula, com 44%. O Ibovespa caiu 0,86%, e a ação do Magalu, 3,98%.

O segundo turno é neste domingo, 25 de outubro. Em 2026, a ação acumula alta de 41,9%. O Magalu divulga o resultado do terceiro trimestre em 10 de novembro.