A Manus, startup de inteligência artificial criada na China e sediada em Singapura, anunciou em 8 de outubro que captou mais de US$ 500 milhões, cerca de R$ 2,5 bilhões. É a primeira rodada de investimento desde que o governo chinês obrigou a Meta, dona do Facebook e do Instagram, a desfazer a compra da empresa.
A rodada foi liderada pelas gestoras Boyu Capital e IDG Capital, com a participação de investidores que já eram sócios, entre eles a Tencent, uma das maiores empresas de tecnologia da China. O valor de mercado não foi divulgado. Segundo a Bloomberg, a Manus buscava uma avaliação de US$ 4 bilhões, o dobro do que a Meta havia pago.
A compra desfeita
A Meta anunciou a aquisição da Manus em dezembro de 2025, por US$ 2 bilhões, cerca de R$ 10 bilhões. Era uma das maiores compras da história da empresa americana, que já tinha começado a integrar a equipe e a tecnologia da startup às suas.
Em abril de 2026, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, órgão de planejamento econômico da China, determinou que o negócio fosse desfeito e informou ter decidido "proibir o investimento estrangeiro no projeto Manus". A decisão veio em um momento em que Pequim aumentava o controle sobre a venda de empresas chinesas de inteligência artificial a grupos americanos.
Fundadores e investidores recompraram então a empresa. Segundo a agência AFP, o governo chinês também restringiu a saída do país de dois dos fundadores, que voltaram a aparecer em público em setembro, em um evento da Manus em Singapura.
O que a Manus faz
A empresa desenvolve agentes de inteligência artificial, programas que não apenas respondem a perguntas, mas executam tarefas em nome do usuário. Em setembro, lançou o Cue, um aplicativo em que a pessoa cria agentes para atividades do dia a dia, como reservar um restaurante ou fazer uma ligação.
É o mesmo tipo de produto que a Meta lançou em setembro com o nome de Muse e que a OpenAI, dona do ChatGPT, apresentou no mesmo mês.
Os próximos passos
Desde setembro, a Manus opera de forma independente e monta equipes para, segundo a empresa, "desenvolver produtos para o mercado doméstico", ou seja, o chinês.
Para Dan Wang, diretor para a China da consultoria Eurasia Group, a captação mostra que os efeitos do caso Meta sobre a empresa foram contidos e que os investidores estão dispostos a apostar na Manus como companhia independente.
