A Matria, startup de Minas Gerais que leva inteligência artificial para a gestão de pacientes de hospitais, captou US$ 6,5 milhões, cerca de R$ 33 milhões, segundo o Pipeline, do Valor. O investimento foi divulgado em 15 de outubro de 2026.
A rodada, do tipo seed, foi liderada pela Astella, gestora brasileira de venture capital. Também entraram os fundos estrangeiros Endeavor Scale Up Ventures, Floating Point e FluentVC, além de investidores-anjo da área da saúde. Um deles é o cirurgião Paulo Chapchap, que passa a presidir o conselho da Matria. Ele também é conselheiro da Wellhub e da Afya, grupo de educação médica.
O que a Matria faz
A Matria cria agentes de inteligência artificial que trabalham dentro da operação dos hospitais.
O primeiro passo é juntar as informações. Um hospital costuma ter dados espalhados em sistemas diferentes: o de gestão, o de faturamento e guias de convênio, os canais de atendimento ao paciente. A Matria conecta esses sistemas e organiza os dados num formato único, que os agentes conseguem usar.
A partir daí, cada agente cumpre uma função. Um atende ligações e mensagens de pacientes, inclusive fora do horário comercial, por texto, áudio ou voz, e transforma os pedidos em agendamentos. Outro identifica cuidados pendentes, como um exame que o paciente esqueceu de fazer, e o orienta a marcar. O sistema também sugere consultas de retorno e aponta pendências no tratamento.
Recentemente, a startup lançou um copiloto para médicos. Ele organiza o registro da consulta e mostra o histórico do paciente. O médico revisa o resultado e continua responsável pelas decisões clínicas.
"Nosso grande diferencial é a capacidade de usar o contexto da infraestrutura de dados de saúde para usar esses agentes", disse ao Pipeline o fundador e presidente-executivo, João Vitor Innecco.
Os clientes
A Matria tem mais de 100 clientes no setor privado de saúde no Brasil, entre eles a Rede D'Or, maior rede de hospitais privados do país, a Rede Américas e o Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo.
Em 2025, a empresa abriu operação no México. O país já responde por 20% do faturamento e tem 26 clientes. "É um mercado menos digitalizado que o nosso, mas com mais capacidade de pagar por serviços de saúde", afirmou Innecco.
A startup não divulga quanto fatura. Segundo o fundador, a empresa cresceu 12 vezes desde a rodada anterior e deve terminar 2026 com receita sete vezes maior do que no início do ano.
O fundador
Innecco é médico. Antes da Matria, criou a Confie Kits Diagnósticos, de testes rápidos para infecções sexualmente transmissíveis, foi consultor de inovação na Dasa, rede de laboratórios e serviços de saúde, e presidente do Incor Minas, em Belo Horizonte.
Ele fundou a Matria em 2023, depois que a avó, Marisa Innecco, morreu em decorrência de um câncer de mama diagnosticado tarde. Segundo ele, o tratamento poderia ter começado antes se as informações dela estivessem conectadas num sistema único. A empresa se chamava Marisa Care, em homenagem à avó, e agora passa a se chamar Matria.
A Astella e o uso do dinheiro
A Astella é uma gestora de São Paulo, fundada em 2008, que investe em startups de tecnologia da fase inicial até a Série A.
A Matria já tinha captado US$ 1,5 milhão, cerca de R$ 7,5 milhões, numa rodada pré-seed em 2025, liderada pela Afya, que voltou a investir agora.
O dinheiro novo vai para contratações nas áreas de produto e tecnologia e para ampliar o time comercial, no Brasil e no México. "Agora é colocar gasolina", disse Innecco.
Fontes: Pipeline Valor · Matria · Astella
