Os fabricantes de computadores entregaram 62,7 milhões de máquinas no mundo entre julho e setembro de 2026, 20,1% menos do que no mesmo período de 2025, quando foram 78,5 milhões. Os dados são preliminares e foram divulgados em 8 de outubro pela IDC, consultoria americana que acompanha o mercado de tecnologia.
A conta inclui computadores de mesa e notebooks e considera as máquinas que os fabricantes enviaram a lojas, distribuidores e clientes. Tablets ficam de fora.
É a segunda queda seguida, e bem maior do que a anterior. No segundo trimestre, o recuo tinha sido de 3,8%.
Quem mais perdeu
As três maiores fabricantes caíram mais do que o mercado:
Lenovo, a líder: 14,9 milhões de computadores, queda de 22,6%
HP: 10,3 milhões, queda de 30,9%
Dell: 7,6 milhões, queda de 25%
Apple: 5,9 milhões, queda de 11,3%
Asus: 5,5 milhões, queda de 8,6%
Somadas, Lenovo, HP e Dell perderam 4,2 pontos percentuais de participação. A Apple vendeu menos, mas, como caiu menos do que as concorrentes, sua fatia do mercado subiu de 8,5% para 9,5%.
Por que o mercado encolheu
A principal explicação da IDC está no começo do ano. O chip de memória, peça usada em todo computador, ficou mais caro e mais difícil de encontrar, porque as fábricas passaram a atender os centros de dados de inteligência artificial, os prédios cheios de computadores que fazem esses sistemas funcionar.
Sabendo que os preços iam subir, fabricantes e revendedores compraram mais no primeiro semestre para formar estoque. Essas compras inflaram os números da primeira metade do ano e deixaram pouco para a segunda. O terceiro trimestre, que costuma ser mais forte do que o segundo, foi 9,1% mais fraco.
"O que estamos vendo é o resultado das compras antecipadas do primeiro semestre", disse Jitesh Ubrani, diretor de pesquisa da IDC. Segundo ele, os revendedores agora temem ficar com estoque demais em um mercado em que o preço alto afasta o comprador.
O que vem pela frente
Para desovar o estoque, as lojas podem fazer promoções nos próximos meses. Mesmo assim, a IDC não espera que os preços voltem ao nível de um ano atrás. "Os preços vão continuar altos", afirmou Ubrani.
A consultoria também vê risco de novas quedas. A economia mundial piorou desde o trimestre anterior, e uma demanda mais fraca pode prejudicar as vendas no restante de 2026 e em 2027.
