A Netflix, que tem mais de 325 milhões de assinantes no mundo, fez três anúncios em três dias desta semana. Na terça-feira, 13 de outubro de 2026, comprou os direitos exclusivos de transmissão da Copa do Mundo de 2030 na Espanha e em Andorra. Na quarta, 14, comunicou aos funcionários o corte de cerca de mil vagas. Na quinta, 15, passou a cobrar mais caro pelos planos vendidos no Brasil, com altas de até 23,9%.
A empresa divulga o resultado do terceiro trimestre na terça-feira, 20 de outubro.
O maior corte da história da empresa
O comunicado foi enviado por e-mail na manhã de quarta-feira pelos dois presidentes-executivos da Netflix, Ted Sarandos e Greg Peters. "Vamos nos despedir de cerca de 6% dos nossos colegas, com o maior impacto nas equipes de produto, tecnologia, jurídico e RH", escreveram. A empresa tinha cerca de 16 mil funcionários em tempo integral no fim de 2025, segundo o relatório anual entregue à SEC, a comissão que regula o mercado de ações dos Estados Unidos.
É o maior corte já feito pela Netflix. O último de grande porte foi em 2022, quando cerca de 450 pessoas foram demitidas depois de a empresa perder 200 mil assinantes no primeiro trimestre daquele ano, a primeira queda em mais de uma década.
Desta vez, a direção diz que as contas vão bem. "Nosso negócio está forte e crescendo, e seguimos no caminho para cumprir nossa previsão para o ano", afirma o texto. A previsão, divulgada em julho, é de receita entre US$ 51 bilhões e US$ 51,4 bilhões em 2026, cerca de R$ 255 bilhões a R$ 257 bilhões, alta de 13% a 14% sobre os US$ 45,2 bilhões de 2025. No mesmo texto, os executivos afirmam que a Netflix vai "continuar a investir agressivamente em áreas de alto impacto".
O corte acontece num momento de disputa mais acirrada pela atenção do público. A Netflix concorre não só com outros serviços de streaming, mas também com o YouTube, o TikTok e o Instagram. Segundo pesquisas de mercado citadas pelo TechCrunch, o YouTube passou a Netflix em tempo médio diário assistido em 2025.
O reajuste no Brasil
Na quinta-feira, 15 de outubro, a Netflix aumentou os preços dos três planos que vende no Brasil, no primeiro reajuste no país desde maio de 2024:
Padrão com anúncios: de R$ 20,90 para R$ 25,90, alta de 23,9%
Padrão: de R$ 44,90 para R$ 51,90, alta de 15,6%
Premium: de R$ 59,90 para R$ 71,90, alta de 20%
O plano com anúncios, o mais barato, teve a maior alta em percentual. O Premium, que permite assistir em quatro aparelhos ao mesmo tempo e em resolução 4K, teve a maior alta em reais: R$ 12 por mês, ou R$ 144 por ano.
Os novos valores já valem para quem assina agora. Quem já é cliente também passa a pagar mais, mas recebe um aviso por e-mail cerca de um mês antes da primeira cobrança com o preço novo, segundo o Canaltech, com base na Central de Ajuda da Netflix.
Antes do Brasil, a Netflix já tinha aumentado os preços nos Estados Unidos, no México e na Espanha, no primeiro semestre. Na carta aos acionistas de julho, a empresa disse que essas mudanças "correram bem" e que o efeito foi parecido com o de reajustes anteriores.
A Copa de 2030, na Espanha e em Andorra
O acordo da Copa vale só para a Espanha e para Andorra, pequeno país entre a Espanha e a França. A Netflix vai exibir ao vivo os 104 jogos do torneio, com programas antes, no intervalo e depois das partidas e um resumo diário. O valor pago não foi divulgado.
Um jogo por dia de competição será aberto de graça na Netflix espanhola. Além disso, um pacote com todos os jogos da seleção da Espanha, as duas semifinais e a final será exibido também por uma emissora de TV aberta do país, que ainda não foi anunciada. Na Copa de 2026, os direitos na Espanha ficaram com a DAZN, outro serviço de streaming, que transmitiu todos os jogos, e a TV pública RTVE exibiu 33 partidas em sinal aberto.
A Copa de 2030 marca os cem anos do primeiro Mundial, disputado no Uruguai em 1930. As sedes são Espanha, Portugal e Marrocos, e Argentina, Paraguai e Uruguai recebem jogos comemorativos do centenário. Será a primeira Copa com partidas em três continentes.
"Poucos eventos unem as pessoas como a Copa do Mundo", disse Bela Bajaria, diretora de conteúdo da Netflix. A empresa já tinha um acordo com a Fifa pelos direitos das Copas do Mundo femininas de 2027 e 2031 nos Estados Unidos e no Canadá.
