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A Papa John's colocou o Brasil entre as prioridades de sua expansão internacional. Segundo informações divulgadas pela Exame em 16 de setembro, a rede americana procura um ou mais master franqueados para desenvolver a operação no país e espera inaugurar a primeira unidade em São Paulo até o fim de 2027 ou o início de 2028. A empresa ainda não confirma a data.

O plano de entrada

A companhia não pretende operar diretamente no Brasil. O modelo escolhido é o de master franquia, em que um parceiro local compra o direito de explorar a marca em determinado território e assume a abertura e a gestão das lojas.

Segundo John Matter, diretor global de desenvolvimento da Papa John's, a rede já tem ao menos cinco reuniões agendadas com potenciais parceiros. Busca grupos capitalizados, com experiência prévia em restaurantes, e admite dividir o país entre mais de um master franqueado.

São Paulo foi escolhida pelo tamanho do mercado. Na sequência vêm Rio de Janeiro e Brasília.

A marca deve se posicionar em uma faixa premium entre as grandes redes, sem disputar com as pizzarias artesanais. O discurso comercial se apoia no uso de massa fresca, nunca congelada.

Uma segunda tentativa

Em 2011, a Papa John's já havia anunciado a entrada no Brasil, mas o projeto não avançou por falta de um parceiro considerado adequado.

"Em 2011, a empresa não tinha as conexões certas com o mercado brasileiro", disse Matter.

A rede em números

Fundada em 1984 nos Estados Unidos, a Papa John's encerrou 2025 com 6.083 restaurantes em cerca de 50 países, 92% deles operados por franqueados.

A dependência do modelo é ainda maior fora dos Estados Unidos: das 2.560 unidades internacionais, 2.547 pertencem a franqueados, com vendas de US$ 1,29 bilhão em 2025.

Expansão em meio a crise doméstica

O movimento ocorre em um momento delicado no mercado americano. As vendas em mesmas lojas na América do Norte caíram 6,4% no primeiro trimestre de 2026 e 8,3% no segundo, puxadas pela redução no número de pedidos.

Em fevereiro, a rede anunciou o fechamento de até 300 lojas. Em agosto, suspendeu o dividendo trimestral para preservar caixa e financiar o plano de recuperação. A projeção para 2026 é de retração de 2% a 4% nas vendas globais do sistema.

A gestora Apollo Global Management chegou a oferecer US$ 2,1 bilhões pela companhia, proposta depois retirada. O presidente-executivo, Todd Penegor, descartou uma venda no curto prazo.

A operação internacional é a exceção no balanço. As vendas em mesmas lojas fora dos Estados Unidos cresceram 1,5% no segundo trimestre, no sétimo avanço consecutivo.

O mercado brasileiro

O Brasil é o segundo maior consumidor de pizza do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Segundo a Associação Pizzarias Unidas do Brasil (Apubra), o país alcançou 40.332 pizzarias em operação em 2026, alta de 10,29% sobre o ano anterior. Somente entre janeiro e maio foram abertas 1.990 unidades, uma inauguração a cada duas horas em média.

Apenas na cidade de São Paulo são produzidas mais de 800 mil pizzas por dia.

Domino's: mais lojas com investimento menor

Controlada no Brasil pela gestora Vinci Compass, a rede tem 220 lojas e planeja chegar a 370 até 2029. Faturou R$ 650 milhões em 2025 e projeta superar R$ 750 milhões neste ano, após 11 trimestres consecutivos de crescimento em mesmas lojas.

A expansão veio de uma reformulação do modelo de franquia. O investimento mínimo por unidade caiu de R$ 1 milhão para R$ 300 mil, com a criação de formatos menores, entre eles quiosques de até 4,9 metros quadrados. A rede também desativou a fábrica central de Itapecerica da Serra e passou a produzir a massa em cada loja, o que elevou a rentabilidade do franqueado em cerca de cinco pontos percentuais.

Pizza Hut: menos lojas e troca de dono

No Brasil desde 1989, a marca é operada pela International Meal Company (IMC), que a incorporou em 2019. A rede reduziu a base de 267 para 260 lojas e passou a priorizar rentabilidade em vez de escala. No primeiro trimestre de 2026, registrou alta de 6,7% na receita e de 8% em mesmas lojas.

No plano global, a marca mudou de dono. Em 16 de junho de 2026, a Yum! Brands anunciou a venda da Pizza Hut por US$ 2,7 bilhões, citando a desaceleração das vendas e a concorrência dos aplicativos de delivery. As operações fora da China ficaram com a gestora LongRange Capital.

O cenário de consumo

A entrada da Papa John's acontece com o consumo pressionado. Com a Selic em 14,5% ao ano, o volume de vendas de bares e restaurantes recuou 6,8% em 2025.

O delivery, canal central para as redes de pizza, também passa por reconfiguração. O setor movimentou R$ 79 bilhões em 2025 e vive uma disputa aberta entre iFood, 99Food e Keeta, do grupo chinês Meituan, que chegou ao país em outubro de 2025 anunciando aportes de R$ 5,6 bilhões.