A Profound, startup americana que monitora como as inteligências artificiais falam das marcas, captou US$ 180 milhões em uma rodada Série D e passou a valer US$ 1,8 bilhão.
A rodada foi liderada pela Sequoia e pela Kleiner Perkins, dois dos fundos mais seletivos do Vale do Silício, com participação de Lightspeed Venture Partners, Khosla Ventures e South Park Commons.
Um bilhão a mais em sete meses
Em fevereiro de 2026, a empresa havia captado US$ 96 milhões em uma Série C e alcançado o status de unicórnio, com valuation de US$ 1 bilhão. Sete meses depois, o valor subiu para US$ 1,8 bilhão.
São duas rodadas relevantes em menos de um ano, em uma empresa fundada por volta de agosto de 2024. Até a Série C, o total captado era de US$ 155 milhões. Com a nova rodada, passa de US$ 335 milhões.
O que a empresa vende
A Profound monitora como os modelos de IA descrevem e recomendam marcas em milhões de consultas reais. A plataforma mostra não apenas se uma empresa aparece nas respostas geradas por ChatGPT, Gemini ou Perplexity, mas por que ela aparece e como os concorrentes estão sendo citados.
A categoria ganhou sigla própria: AEO, de Answer Engine Optimization, também chamada de GEO, de Generative Engine Optimization. É o equivalente do SEO para assistentes de IA. Em vez de disputar posição na página de resultados do Google, a marca disputa espaço dentro da resposta que o modelo entrega pronta.
O argumento comercial está em um dado da própria empresa: até 90% das fontes citadas nas respostas de IA podem mudar ao longo do tempo, e modelos diferentes usam conjuntos distintos de referências. Ou seja, a presença da marca é instável e varia conforme o assistente, o que transforma o monitoramento em serviço recorrente.
Quem já usa
A empresa afirma ter mais de 1.000 clientes corporativos. Em fevereiro eram mais de 700, entre eles cerca de 10% das companhias da Fortune 500.
Entre os nomes divulgados estão Walmart, Comcast, Estée Lauder, Target, Ramp, MongoDB, U.S. Bank e Figma. A receita cresceu três vezes em seis meses, segundo a companhia. O número absoluto de faturamento não foi divulgado.
Em fevereiro, a Profound operava com menos de 120 funcionários.
Por que os fundos estão pagando
O interesse acompanha uma mudança no comportamento de busca. Assistentes de IA passaram a funcionar como canal de descoberta, absorvendo consultas que antes iam para o buscador tradicional, e o tráfego de busca convencional vem cedendo espaço.
Para as marcas, isso cria um problema novo. Na busca tradicional, existe uma lista de links e a empresa pode trabalhar para subir nela. Na resposta de IA, existe um parágrafo só, e a empresa ou está citada nele ou não está. Não há segunda página.
Duas captações grandes em menos de um ano indicam que os investidores estão tratando AEO como categoria estrutural, e não como onda passageira. É uma aposta, não um fato consumado: a categoria tem menos de dois anos e depende de um comportamento de consumo que ainda está se formando.
O que não foi divulgado
A empresa não abriu faturamento absoluto, apenas o múltiplo de crescimento. Também não informou número atual de funcionários nem presença ou clientes no Brasil. Os dados de tração citados são da própria Profound, sem verificação independente.
Fontes: BlockTrends · Exame · Exame
