A Projeto Alumínio, indústria do interior de São Paulo, projeta faturar R$ 360 milhões em 2026. A empresa encerrou 2025 com R$ 309 milhões, o que representa um crescimento de 16,5% na comparação anual.
A companhia fabrica ACM, sigla em inglês para material composto de alumínio. O produto é formado por duas lâminas de alumínio com um núcleo de polietileno entre elas, e é usado em revestimento de fachadas, portas, lojas, comunicação visual e projetos arquitetônicos de maior porte. Ao longo da história, a empresa já comercializou mais de 31 milhões de metros quadrados do material.
A origem
A Projeto Alumínio nasceu em 1993, em São José do Rio Preto, fundada por Jefferson Lousa em sociedade com Luiz Rosa do Nascimento. Lousa havia deixado a multinacional Alcan Alumínio e montou uma representação regional de produtos de alumínio na região.
Durante cerca de 15 anos, a operação foi essencialmente comercial. A empresa importava o ACM fabricado na China e revendia no mercado brasileiro, sem controle sobre produção, prazo ou qualidade do material que entregava.
A virada da fabricação própria
Em 2014, a companhia decidiu verticalizar e passar a produzir o painel no Brasil. O investimento inicial foi de R$ 20 milhões, todos com capital próprio.
"Ou eu controlo o que eu fabrico ou eu vou quebrar", afirmou o fundador sobre a decisão.
A mudança transformou a empresa de importadora em indústria e abriu caminho para o desenvolvimento de linhas próprias, com margens maiores do que as de uma operação de revenda.
Investimentos e capacidade
Nos últimos anos, a empresa aplicou mais de R$ 70 milhões em melhorias fabris. Só em controles de pintura, etapa que define o acabamento e a durabilidade do painel exposto ao tempo, foram cerca de R$ 7 milhões.
O parque industrial tem aproximadamente 50 mil metros quadrados e deve receber uma ampliação de mais de 15 mil metros quadrados. A companhia se apresenta como a maior fábrica de ACM do Brasil.
A aposta em produto de maior valor
O ACM convencional é um produto padronizado, em que a disputa tende a se concentrar em preço e prazo de entrega. A resposta da empresa foi investir em diferenciação.
A companhia aplicou R$ 10 milhões na Aluance, linha de painéis com efeito degradê e transições de cores, um acabamento que o ACM tradicional não oferece. Os testes iniciais custaram cerca de R$ 200 mil.
Para desenvolver as aplicações do produto, a empresa contratou o designer Hans Donner, conhecido pelas vinhetas e pela identidade visual da TV Globo. A projeção é de R$ 12 milhões a R$ 15 milhões de receita no primeiro ano da linha.
Estrutura e alcance
Além da fábrica em São José do Rio Preto, a companhia mantém unidades em São Paulo, Bauru, Vitória, Curitiba, Recife e Caxias do Sul. As exportações chegam a 11 países.
O portfólio não se resume ao ACM. A empresa também opera as marcas Alusense, AlusignPro, Strada, Dfix, Solcril e Móduly, voltadas a perfis, fixações, comunicação visual e acabamentos.
O mercado
O desempenho da Projeto Alumínio está diretamente ligado ao ritmo da construção civil e da reforma comercial, já que o ACM é aplicado tanto em obras novas quanto em retrofit de fachadas e padronização de redes de lojas.
A Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) projeta crescimento de 1,9% para o setor de materiais de construção em 2026. A projeção da empresa, de alta de 16,5%, portanto, supera com folga a média do mercado em que atua.
No segmento de ACM, a concorrência inclui fabricantes nacionais como a Alucomaxx, que declara capacidade produtiva superior a 4 milhões de metros quadrados por ano, além de material importado, principalmente da China, que segue disputando o mercado brasileiro por preço.
Fontes: Exame · Business Moment · ProjetoAlumínio · CBIC, com projeção da Abramat
