A americana Prudential Financial fechou acordo nesta terça-feira, 20 de outubro de 2026, para vender a Prudential do Brasil e a Prudential do México ao grupo francês CNP Assurances por US$ 4,025 bilhões em dinheiro, cerca de R$ 20,3 bilhões. O valor ainda está sujeito a ajustes no fechamento do negócio.
Com sede em Newark, no estado americano de Nova Jersey, e ações na Bolsa de Nova York, a Prudential Financial vende seguros de vida, previdência e produtos de investimento e é uma das maiores gestoras de recursos do mundo, com cerca de US$ 1,6 trilhão sob gestão em junho, aproximadamente R$ 8,1 trilhões. Tem operações nos Estados Unidos, na Ásia, na Europa e na América Latina.
O que está sendo vendido
A Prudential do Brasil, que vende seguros de vida no país desde 1998, protege 6,9 milhões de segurados, segundo a CNP. A distribuição é feita principalmente pelos Life Planners, uma rede de 2.500 corretoras franqueadas que vendem os produtos da companhia, e por parcerias com outros distribuidores. Em 2025, a operação brasileira teve receita de 1,3 bilhão de euros, cerca de R$ 7,3 bilhões. De janeiro a julho de 2026, somou R$ 4,88 bilhões em prêmios, segundo a Bloomberg, com base em dados da Susep, a Superintendência de Seguros Privados.
O modelo de franquias também traz passivos. Em junho, a Prudential do Brasil tinha R$ 192,9 milhões provisionados para processos trabalhistas e outros R$ 608,5 milhões em causas classificadas como perda possível, entre elas pedidos de ex-franqueados para que a Justiça reconheça vínculo de emprego, segundo a Exame.
A Prudential do México, a parte menor do negócio, teve receita de 100 milhões de euros em 2025, cerca de R$ 564 milhões, com vendas feitas por uma rede de agentes de seguros.
Quem compra
A CNP Assurances é a segunda maior seguradora de vida da França e é controlada pelo banco La Banque Postale, do grupo estatal francês La Poste. Tem mais de 8.500 funcionários e lucrou 1,49 bilhão de euros em 2025, cerca de R$ 8,4 bilhões. Está na América Latina há mais de 30 anos e, no Brasil, é a terceira maior seguradora graças à parceria com a Caixa Econômica Federal. A compra da Prudential do Brasil será feita pela CNP Seguradora, a subsidiária brasileira do grupo.
A parceria com a Caixa já abrangeu todos os seguros vendidos nas agências do banco, mas, em 2021, foi limitada principalmente a seguros de vida e previdência. Desde então, a CNP busca novos canais de venda no país, segundo a Bloomberg. Com a Prudential, ganha a rede de Life Planners e as parcerias de distribuição da americana, além de entrar no mercado mexicano.
"Ficamos particularmente impressionados com as capacidades desses negócios, incluindo a experiência da rede de Life Planners e as relações de confiança com os clientes construídas ao longo de muitos anos", disse a presidente-executiva da CNP Assurances, Marie-Aude Thépaut. A CNP diz que, com o negócio, ficará entre as cinco maiores seguradoras da América Latina. Segundo Maximiliano Villanueva, presidente-executivo do grupo para a região, a América Latina vai passar de 15% para 24% do faturamento da CNP.
A CNP calcula uma taxa interna de retorno de 15% sobre o investimento. A compra deve reduzir em cerca de 20 pontos percentuais o índice de solvência do grupo, que mede quanto capital a seguradora tem acima do mínimo exigido pelas regras europeias e estava em 247% em junho. A americana MetLife também disputava os ativos, segundo a Bloomberg.
Por que a Prudential vende
A venda faz parte do plano da Prudential de sair de mercados emergentes e concentrar o capital em menos países. "Continuamos focados em reduzir nossa presença geográfica e em construir uma Prudential mais simples e mais focada", disse o presidente do conselho e presidente-executivo, Andy Sullivan.
Antes do Brasil e do México, a empresa já tinha anunciado a venda de suas participações em joint ventures na Indonésia, na África do Sul e no Quênia, a última concluída em 13 de outubro. Segundo Sullivan, a Prudential já saiu de cerca de 60% dos mercados emergentes que pretende deixar, e Índia, Gana e China ainda estão na lista. No início do ano, ele tinha estabelecido a meta de levantar mais de US$ 3 bilhões, cerca de R$ 15,1 bilhões, com essas vendas.
A Prudential pretende usar o dinheiro nas áreas que considera prioritárias para crescer: previdência, gestão de recursos e alguns seguros de proteção nos Estados Unidos, no Japão e em mercados selecionados da Europa.
O que falta
O negócio depende de aprovações regulatórias nos dois países. A conclusão está prevista para o segundo semestre de 2027.
