Renata Vichi, que comandou a Kopenhagen até o início deste ano, tornou-se sócia da SIX, rede de academias de luxo, e prepara uma expansão de R$ 100 milhões a ser investida em 2027.
A entrada dela foi em 6 de setembro. A primeira decisão foi puxar o calendário: o plano de expansão estava previsto para 2028 e foi antecipado em um ano.
A rede hoje
A SIX tem sete unidades abertas em três anos de operação e projeta faturar R$ 90 milhões em 2026.
A mensalidade vai de R$ 4.500 a R$ 5.400. O que justifica o preço, no discurso da empresa, não é o equipamento: é o entorno. A rede oferece concierge, sauna, crioterapia, salão de beleza e lavanderia. É uma operação de hospitalidade que tem uma academia dentro, mais do que o contrário.
Os sócios são Eilson Studart e Leandro Vaz.
Onde isso se encaixa no mercado brasileiro
Para dimensionar o que a SIX é, vale olhar quem domina o setor.
A Smart Fit inaugurou em dezembro a unidade de número 2 mil, está em 16 países e mantém plano de abrir até 350 academias em 2026. O modelo é o oposto: escala grande, mensalidade acessível, equipamento padronizado e nenhum serviço de hospitalidade.
São sete unidades contra duas mil. E uma mensalidade que, sozinha, cobre vários anos de assinatura da concorrente popular.
Não são competidoras. São negócios diferentes que usam a mesma palavra. A SIX não disputa o cliente da Smart Fit, disputa o tempo e o dinheiro de quem hoje contrata personal em estúdio particular ou frequenta clube.
Como o dinheiro entra
O plano prevê de seis a oito novas unidades em 2027, o que praticamente dobra a rede. Cada uma custa cerca de R$ 20 milhões, e o total pode superar os R$ 100 milhões iniciais.
A estrutura de financiamento é o detalhe mais relevante para quem opera no varejo: 70% vem da holding e dos sócios atuais, e 30% de parceiros que entram como acionistas de unidades específicas.
Não é franquia nem capital de fundo. É sócio por ponto, modelo que divide o risco da unidade sem diluir o controle da marca, e que costuma aparecer quando o investimento por loja é alto demais para o caixa aguentar sozinho.
A primeira nova academia abre até fevereiro, nos Jardins, em São Paulo. Cidade Jardim, Morumbi, Higienópolis, Curitiba e Ribeirão Preto estão em análise.
De onde ela vem
Renata Vichi passou quase três décadas no Grupo CRM, dono da Kopenhagen e da Brasil Cacau. Entrou aos 16 anos, depois que o pai, Celso Moraes, comprou a Kopenhagen em 1996, e chegou a CEO em 2020.
Sob a gestão dela, o grupo saiu de R$ 800 milhões de faturamento, em 2020, para R$ 2 bilhões, e passou de 1.300 lojas até 2025.
Ela deixou o comando no início de 2026, após a venda do controle à Nestlé, operação estimada em cerca de R$ 4,5 bilhões e já aprovada pela Superintendência-Geral do Cade. A multinacional suíça declarou querer triplicar a rede por meio de franquias.
É desse desfecho que sai o capital e a disponibilidade que ela agora coloca na SIX.
O que ela leva de uma para a outra
Chocolate e academia parecem negócios sem relação, mas o problema é o mesmo: vender um produto caro em rede física, com margem que depende de quantas unidades você consegue abrir sem estragar a experiência.
É exatamente essa a dificuldade de uma academia que cobra R$ 5.400. Cada unidade nova precisa entregar o mesmo padrão, senão o preço deixa de se sustentar. Foi o problema que ela administrou por mais de mil lojas de chocolate.
Na SIX, além de investidora, ocupa os papéis de conselheira e Chief Growth Officer, com responsabilidade sobre expansão, marketing, marca, experiência do cliente, governança e operações de fusão e aquisição.
O último item da lista diz algo. Não está só no radar abrir unidade própria: comprar operação existente também está na mesa.
O que não foi divulgado
Não foram informados o número de alunos da rede, o valor pago por Renata Vichi pela participação, o percentual que ela adquiriu nem a margem da operação. A localização exata das sete unidades atuais também não foi detalhada.
Fontes: Exame INSIGHT · Exame · NeoFeed · Cade · BM&C News
