Warren Buffett deixou a presidência do conselho de administração da Berkshire Hathaway. O anúncio foi feito na sexta-feira, 18 de setembro, com efeito imediato.
O cargo passa a ser ocupado por Howard Buffett, filho do investidor e membro do conselho da companhia desde 1993. Warren, de 96 anos, assume o título de presidente emérito e permanece como conselheiro e acionista controlador.
Greg Abel, que assumiu como CEO neste ano, segue no comando da operação.
A frase que resume a divisão
O próprio Buffett explicou o desenho em uma linha: "Greg administra a empresa; Howard vai proteger sua cultura e seus valores".
Não é uma sucessão única, é uma separação de funções. A gestão do negócio ficou com um executivo de carreira. A guarda dos princípios que sustentam o conglomerado ficou com a família.
Por que o filho não vai administrar nada
A escolha de Howard pode soar como sucessão dinástica, mas não é o que está desenhado. Warren Buffett já havia esclarecido isso publicamente em 2013: o filho não teria a função de administrar os negócios.
O papel dele é de governança. Fiscalizar a gestão, preservar a cultura da companhia e participar de uma eventual decisão de substituir o CEO. É um contrapeso, não um cargo executivo.
Howard tem 71 anos e está no conselho da Berkshire há 33. Já ocupou assentos nos conselhos de Coca-Cola, Archer Daniels Midland e ConAgra Foods, e preside a Howard G. Buffett Foundation desde 1999.
A transição foi feita em duas etapas
Buffett assumiu o controle da Berkshire em 12 de maio de 1965. São mais de 60 anos à frente da companhia.
A saída começou em 3 de maio de 2025, quando ele anunciou que deixaria o cargo de CEO. Greg Abel assumiu a função neste ano. Só agora, mais de um ano depois do primeiro anúncio, veio a saída da presidência do conselho.
Primeiro a operação, depois a governança, com um intervalo longo entre as duas. É o oposto da troca abrupta que costuma abalar uma empresa de capital aberto quando o fundador sai.
Como Abel vem se saindo
Segundo as fontes que noticiaram a transição, o desempenho de Abel superou as expectativas de Buffett.
A Berkshire registrou lucro de US$ 11,35 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Sob a nova gestão, o grupo também fechou duas aquisições relevantes: a OxyChem, por cerca de US$ 9,4 bilhões, e a Taylor Morrison, por aproximadamente US$ 6,8 bilhões.
O tamanho do que muda de mãos
A Berkshire vale cerca de US$ 1,2 trilhão em bolsa e emprega aproximadamente 387,8 mil pessoas. O lucro operacional de 2025 foi de US$ 44,5 bilhões.
O grupo controla operações de seguros, ferrovia, energia e indústria, além de participações em Coca-Cola, Apple, American Express e Bank of America. As subsidiárias têm ampla autonomia operacional, e a alocação de capital é centralizada.
Buffett mantém 14% do capital econômico, participação avaliada em US$ 147 bilhões, e 30% do poder de voto. Na prática, mesmo fora da presidência do conselho, ele continua sendo quem decide em qualquer votação relevante.
Sessenta anos em um número
Entre 1965 e 2026, a ação da Berkshire acumulou alta de 5.439.170%. No mesmo período, o S&P 500 subiu 37.309% e a inflação americana, 10.115%.
Mil dólares aplicados em 1965 valeriam hoje cerca de US$ 54,3 milhões.
O que ainda não se sabe
As fontes consultadas não trazem a reação do mercado ao anúncio, não detalham os planos de doação das ações de Buffett e não registram declaração direta de Howard Buffett sobre a nomeação. Também não foi informado se há outras mudanças na composição do conselho.
Fontes: Forbes Brasil · Economic News Brasil · ADVFN · Exame
