Este site usa cookies

Leia nossa Política de privacidade e Termos de uso para mais informações.

The Operator Logo
BOM DIA

Todo negócio é um jogo com regras próprias: quanto custa cada cliente, até onde dá para crescer, quanto sobra no fim.

O dono passa anos aprendendo a jogar melhor.

Mas, quanto melhor joga, menos questiona se vale a pena vencer.

Nesta edição:

  • Você pode ficar cada vez melhor em um jogo que nem deveria estar jogando.

  • Eles falharam criando uma startup de IA. Hoje valem US$ 28 bilhões comprando apps dos outros.

  • E mais:

    • Chilli Beans pede recuperação extrajudicial.

    • Kalshi, cofundada por brasileira, capta US$ 1 bilhão e passa a valer US$ 40 bilhões.

    • Anatel determina biometria facial para cadastrar e manter linha de celular.

    • Ibovespa cai 18,12% na semana e TCU propõe alíquota de 11,3% para a CBS, imposto que substitui PIS e Cofins em 2027.

    • Itaú compra startup mineira de inteligência artificial por R$ 2,9 bilhões.

INSIGHT DA SEMANA

Você pode ficar cada vez melhor em um jogo que nem deveria estar jogando.

Todo empresário se pergunta: como podemos ficar melhores no que fazemos?

Mas existe outra pergunta, mais importante, que raramente recebe a mesma atenção: se nos tornarmos extraordinariamente bons nisso, o que vamos conquistar?

Elas parecem semelhantes, mas tratam de problemas totalmente diferentes. Uma diz respeito à capacidade de executar. A outra, ao retorno que essa execução pode proporcionar.

E a primeira não garante a segunda.

Imagine dois empreendedores igualmente competentes, dispostos a dedicar os próximos dez anos à construção de suas empresas.

Ambos desenvolvem produtos, conquistam clientes, contratam boas equipes e se tornam excelentes empresários.

Mas existe uma diferença: o primeiro atua em um mercado pequeno, com um número limitado de compradores. O segundo atende a um mercado muito maior, no qual milhares de clientes ainda podem ser conquistados.

O primeiro pode se tornar líder absoluto do seu setor e, ainda assim, construir uma empresa menor do que o segundo, mesmo que este conquiste apenas uma pequena parcela do mercado.

Não porque um seja mais competente que o outro, mas porque a excelência de cada um encontra possibilidades diferentes.

Isso não significa que o segundo necessariamente ganhará mais dinheiro. Um mercado maior pode trazer mais concorrência, custos elevados e margens menores.

A questão é que o retorno de um negócio não depende apenas da competência de quem o administra, mas também das possibilidades econômicas do modelo escolhido.

E, embora isso pareça óbvio quando comparamos duas empresas, é muito mais difícil perceber quando estamos construindo uma delas.

Afinal, não acompanhamos diariamente o que poderíamos estar ganhando em outro negócio. Acompanhamos as vendas, os lucros e o crescimento daquele que temos.

Se esses números melhoram, é natural interpretar que estamos no caminho certo.

E é justamente aí que surge uma armadilha.

Quando um negócio começa a dar certo, tendemos a confundir a prova de que ele funciona com a prova de que vale a pena continuar investindo nele.

Se conseguimos chegar até aqui, por que não continuar? Contratamos mais pessoas, desenvolvemos processos e dedicamos ainda mais tempo e dinheiro à operação.

A cada conquista, ficamos mais comprometidos com o caminho escolhido. E, quanto mais avançamos, mais difícil se torna questionar se deveríamos continuar nele.

Quando uma estratégia fracassa, somos obrigados a reconsiderar. Reavaliamos o mercado, o modelo de negócio e até a decisão de ter começado.

Mas, quando funciona, raramente fazemos o mesmo exercício.

Na prática, o sucesso, por menor que seja, não só recompensa uma escolha, mas também nos convence a repeti-la.

E, aos poucos, deixamos de perguntar se vale a pena continuar nesse jogo e passamos a focar apenas em como vencer.

O problema é que vencer não garante o retorno desejado.

É por isso que a pergunta inicial importa tanto: se tudo der certo e nos tornarmos extraordinariamente bons nisso, o retorno será aquilo que realmente buscamos?

Porque empreender exige anos de esforço, risco e dedicação. E uma das decisões mais importantes de quem empreende não é apenas descobrir como vencer um jogo. É entender se vale a pena investir tanto para vencê-lo.

ESTUDO DE CASO

Eles falharam criando uma startup de IA. Hoje valem US$ 28 bilhões comprando apps dos outros.

Na última quinta-feira, a Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, concluiu um novo investimento de US$ 330 milhões na italiana Bending Spoons, elevando seu aporte total a US$ 930 milhões.

Dona de aplicativos como Evernote, WeTransfer, Vimeo, Miro e AOL, a companhia estreou na Nasdaq em julho e já vale aproximadamente US$ 28 bilhões.

Fundada em 2013, ela já realizou mais de 50 aquisições. Seus produtos somavam mais de 500 milhões de usuários ativos mensais em março e geraram US$ 1,31 bilhão em receita em 2025.

Mas o mais interessante é o modelo de negócios por trás desses números.

Enquanto boa parte do Vale do Silício tenta criar o próximo aplicativo de sucesso, a Bending Spoons construiu uma máquina de comprar, reestruturar e operar produtos que já conquistaram milhões de usuários.

A origem: de US$ 10 mil a aquisições bilionárias.

A ideia nasceu depois que Luca Ferrari e seus sócios fracassaram tentando desenvolver uma startup de inteligência artificial.

Com apenas US$ 40 mil restantes, decidiram mudar de abordagem: em vez de continuar desenvolvendo produtos do zero, comprariam aplicativos que já haviam conquistado usuários.

A primeira aquisição custou US$ 10 mil.

Hoje, pagam cifras bilionárias por empresas estabelecidas, como a Vimeo, adquirida por aproximadamente US$ 1,36 bilhão, e a AOL, por US$ 1,45 bilhão.

A lógica lembra a de um fundo de private equity: adquirir negócios, reestruturar operações e melhorar sua rentabilidade. Mas, diferentemente dos fundos tradicionais, a Bending Spoons pretende manter as empresas indefinidamente.

Os resultados.

Os efeitos dessa abordagem já aparecem em algumas das empresas que fazem parte de seu portfólio.

No Evernote, adquirido em 2023, a empresa reduziu a equipe dedicada ao aplicativo de 341 para 60 profissionais, modernizou a tecnologia e reformulou as assinaturas. Em 2025, a receita média por usuário ativo mensal era 2,5 vezes a registrada antes da compra.

No Remini, aplicativo de edição de fotos comprado em 2021, reescreveu o software, desenvolveu novas funcionalidades de IA e reformulou a monetização. Em 2025, sua receita era mais de nove vezes a registrada antes da aquisição.

No StreamYard, plataforma de transmissões ao vivo adquirida em 2024, reduziu a equipe de 154 para 44 profissionais e modernizou a infraestrutura. Entre 2023 e 2025, a receita cresceu cerca de 50%.

O diferencial.

Seu diferencial não está apenas em melhorar um aplicativo. Está em conseguir repetir esse processo.

Para isso, a Bending Spoons desenvolveu uma estrutura centralizada de engenharia, marketing, dados e precificação, aplicada aos diferentes negócios.

Assim, cada aquisição aproveita competências e tecnologias já desenvolvidas, enquanto a empresa acumula experiência para transformar as próximas.

O dinheiro gerado pelas operações, combinado com investimentos e dívidas, ajuda a financiar novas compras.

O desafio do modelo.

Essa estratégia permite expandir o portfólio, mas mantém o crescimento bastante dependente de novas aquisições.

Em 2025, a receita consolidada cresceu 95%. Desconsiderando a entrada de empresas compradas, o crescimento foi de 13%.

As reestruturações também provocam críticas, especialmente pelos cortes de funcionários e aumentos de preços.

A questão agora é sustentar esse crescimento em duas frentes: continuar fazendo boas aquisições e, ao mesmo tempo, expandir os negócios que já possui, sem depender exclusivamente de novas compras.

RADAR DO OPERADOR

Também vale a pena ver.

GIRO DO MERCADO

1. Ibovespa cai 18,12% na semana da reeleição de Lula, a maior queda desde março de 2020.

O índice fechou a sexta-feira aos 167.922 pontos, depois de cinco quedas seguidas. Já o dólar subiu 9,04% e encerrou a R$ 5,44, na maior alta semanal desde 2008.

O que aconteceu: o mercado vinha apostando na vitória de Flávio Bolsonaro e numa melhora das contas públicas. Com a reeleição de Lula, no domingo (25), o Ibovespa caiu 13,88% na segunda-feira, e a B3 acionou o circuit breaker, suspendendo os negócios por 30 minutos. A queda continuou nos dias seguintes porque os investidores esperavam a escolha do ministro da Fazenda e um plano para as contas públicas, mas nenhum dos dois aconteceu. Sem essas respostas, os juros futuros para 2028 subiram de 12,9% para 14,5%.

Em números, na semana:

→ Ibovespa: −18,12% (+4,22% no ano).
→ Dólar: +9,04% (−0,81% no ano).
→ Índice de small caps: −32,79%.

Destaques: só 5 das 76 ações do índice subiram. Suzano (+16,44%), WEG (+13,18%) e Embraer (+12,76%), que têm boa parte da receita em dólar, lideraram as altas, enquanto Vamos (−62,87%), Magalu (−57,84%) e Cosan (−55,19%) tiveram as maiores quedas.

O mercado agora acompanha a decisão do Copom sobre a Selic, na quarta-feira (4), e a escolha do ministro da Fazenda.

____

2. Tribunal de Contas calcula em 11,3% o imposto que substitui PIS e Cofins em janeiro.

A CBS, o novo imposto federal sobre consumo, começa a ser cobrada em 1º de janeiro de 2027, quando substitui o PIS e a Cofins. Neste ano, as empresas só informam o imposto na nota fiscal, sem pagar. O percentual calculado pelo TCU na quarta-feira (28) ficou acima dos 9,21% estimados em julho.

Por que veio acima do esperado: a alíquota é calculada para manter a arrecadação dos tributos substituídos. O Congresso zerou o imposto sobre a cesta básica e concedeu descontos a setores como saúde e educação. Para compensar a arrecadação menor, a alíquota aplicada aos demais precisa ser maior. Só a cesta básica pesa cerca de 2,7 pontos.

Como a conta funciona: a CBS incide sobre a venda, e a empresa desconta o imposto já pago nas compras. Salários não geram desconto, porque não há CBS sobre a folha. Por isso, quem compra muito, como comércio e indústria, tende a descontar mais do que quem gasta principalmente com pessoal, como muitas empresas de serviços.

O que muda em cada regime:

→ Lucro real: hoje paga 9,25% de PIS e Cofins e desconta parte das compras. Passa a 11,3%, com uma regra de desconto mais ampla.

→ Lucro presumido: hoje paga, em geral, 3,65%, sem desconto. É o maior salto no percentual, mas a empresa passa a poder descontar o imposto das compras.

→ Simples Nacional: a partir de 2027, a CBS e o IBS, o imposto que substitui ICMS e ISS, passam a integrar o DAS. As empresas continuam pagando os tributos em uma guia única, sem descontar esses impostos das compras. Seus clientes sujeitos ao regime regular poderão descontar apenas o IBS e a CBS devidos pelo fornecedor na operação. Já quem optou até sexta-feira (30) por recolher esses tributos separadamente, pelo regime regular, poderá descontar esses impostos das compras a partir de 2027. A escolha vale para o primeiro semestre.

O impacto no preço: como a alíquota é maior que a atual e o desconto varia, o efeito muda de empresa para empresa. Para o tributarista Gabriel Caldiron Rezende, do Machado Associados, "a depender do perfil de atividades", a alíquota "resultará em aumento de preço de 2026 para 2027".

O que vem agora: o Senado tem até 15 de dezembro para fixar o percentual e pode ajustá-lo. Se não houver decisão até 22 de dezembro, vale o número do TCU até a votação.

No radar: somada ao IBS, a CBS leva a carga estimada a 30% ao fim da transição, em 2033. Em 2027 e 2028, o IBS é de só 0,1% e ganha peso a partir de 2029, quando ICMS e ISS começam a cair.

____

Outros acontecimentos para você não ficar por fora:

FEEDBACK

O que você achou da edição de hoje?

Você pode deixar um comentário depois de votar, nos ajuda muito.
SOBRE NÓS

Prazer, eu sou o Ythalo, fundador e editor do The Operator.

Há mais de 10 anos construo empresas de tecnologia. Sou sócio da MAR Ventures, venture builder por trás de empresas como a Remessa Online, vendida ao EBANX por mais de R$ 1 bilhão. E também sou cofundador e CEO da Vobi, investida pela Y Combinator, a mesma aceleradora por trás de Airbnb, Stripe e OpenAI, criadora do ChatGPT.

Ao longo dessa jornada, uma coisa sempre me incomodou: informação para quem toca uma empresa nunca faltou. O difícil é encontrar o que vale o seu tempo.

Foi por isso que criei o The Operator: um jornal que seleciona o que realmente importa e apresenta tudo de forma clara, objetiva e sem enrolação. Seja para entender o que acontece no mundo ou para tomar melhores decisões no seu negócio.

E, já que você chegou até aqui, responda este e-mail e me conte: qual é a decisão mais difícil que você precisa tomar na sua empresa hoje?

Eu leio todas as respostas.

Até o próximo domingo,
The Operator, por Ythalo S.