
BOM DIA
Seu cliente tem um segredo que nunca vai te contar.
Ele pagaria mais.
Não muito. Mas mais.
O problema é que você nunca tentou descobrir quanto.
Nesta edição:
Toda empresa sabe quanto cobra. Quase nenhuma sabe quanto poderia cobrar
Ela fatura US$ 11 bilhões por ano lavando uniformes. E tem 23% de margem
E mais:
IA pode reduzir alguns salários e aumentar outros em até 33,6%
Ibovespa bate recorde histórico e tem maior alta semanal em seis anos
Só 4 em cada 10 bares e restaurantes fecham o mês com lucro
Startup de IA para concessionárias capta US$ 27 milhões
Francesa Alan, que tem Mbappé entre os sócios, avalia comprar a brasileira Alice
INSIGHT DA SEMANA
Toda empresa sabe quanto cobra. Quase nenhuma sabe quanto poderia cobrar.

Quando foi a última vez que você aumentou seus preços?
Não para acompanhar a inflação, mas um aumento de verdade, porque seu produto melhorou, sua empresa ganhou reputação ou você percebeu que poderia estar cobrando mais.
Agora pense em quantas vezes, nesse mesmo período, você renegociou com fornecedores, cortou despesas, investiu em marketing ou procurou novas formas de vender mais.
Provavelmente perdeu a conta.
O curioso é que todo dono está sempre procurando maneiras de melhorar o resultado, mas raramente questiona o número que determina quanto recebe por cada venda.
Na maioria dos negócios, o preço é definido lá no começo, muitas vezes com base nos concorrentes ou pela adição de uma margem sobre os custos. Depois, passa anos praticamente intocado, mesmo quando a empresa já não é a mesma.
Não é que o dono saiba que seus clientes não pagariam mais. É que ele nunca descobriu se pagariam.
Enquanto isso, tenta melhorar o resultado de todas as outras maneiras. Mas, quando a possibilidade é cobrar mais, o medo de perder clientes encerra a discussão antes mesmo de ela começar.
O risco de aumentar é visível. O de não aumentar, não.
Um cancelamento aparece no relatório. Uma venda perdida chama atenção. Já o dinheiro que um cliente teria aceitado pagar, mas que nunca foi cobrado, não aparece em lugar nenhum.
Mas perder vendas não significa necessariamente ganhar menos dinheiro.
Se uma empresa vende 1.000 unidades de um produto por R$ 100 cada, com um custo variável de R$ 70 por unidade, sua margem de contribuição total é de R$ 30 mil.
Se aumentasse o preço para R$ 110 e perdesse 20% das vendas, sua margem de contribuição ainda subiria para R$ 32 mil, considerando os mesmos custos variáveis por unidade.
Ou seja, mesmo vendendo 20% menos, ela ainda teria uma margem de contribuição maior.
A conta é básica. Não tem nada de novo nem de sofisticado aqui. O problema é que, muitas vezes, ela nem chega a ser feita: a ideia morre no “vou perder cliente”.
Ou, no máximo, o dono tenta uma vez: ouve um ou dois “nãos”, recua e nunca mais toca no assunto.
Só que o preço é uma alavanca poderosa demais para ser ignorada.
Para vender 10% a mais, uma empresa pode precisar investir mais em marketing, contratar mais vendedores e até aumentar a capacidade operacional.
Para tentar cobrar 10% a mais, ela só precisa de uma decisão.
Poucas coisas podem melhorar tanto o resultado de uma empresa sem exigir mais vendas ou investimentos. O preço é uma delas.
E isso não significa que aumentar o preço sempre compense. Significa que o medo de perder clientes não deveria ser motivo suficiente para deixar de testar essa possibilidade.
Afinal, e se der certo?
Quanto a empresa poderia ganhar sem vender uma unidade a mais? Quantas contratações ou investimentos poderiam ser financiados com esse dinheiro?
O maior risco não é testar um preço mais alto e descobrir que ele não funciona. É passar anos sem descobrir se funcionaria.
ESTUDO DE CASO
Ela fatura US$ 11 bilhões por ano lavando uniformes. E tem 23% de margem.

Uma empresa americana fatura mais de US$ 11 bilhões por ano fornecendo, recolhendo e lavando uniformes de trabalho.
Seu nome é Cintas.
Mesmo operando lavanderias industriais, caminhões, centros de distribuição e empregando milhares de pessoas, a companhia alcançou uma margem operacional de 23,1% no ano fiscal de 2026.
Mas o mais interessante não é quanto ela fatura.
É como ela chegou até aqui.
Tudo começou com panos que as fábricas jogavam fora.
Em 1929, Doc Farmer e sua esposa, Amelia, encontraram uma oportunidade nos panos industriais descartados pelas fábricas de Cincinnati, nos Estados Unidos.
O casal recolhia esses materiais, lavava e revendia para outras empresas da região.
Com o tempo, o negócio evoluiu para o fornecimento e a lavagem de toalhas industriais.
Mas foi o neto do fundador quem enxergou uma oportunidade muito maior.
Em 1959, Richard Farmer assumiu a empresa e começou a desenvolver um novo serviço: o aluguel de uniformes de trabalho.
A ideia aproveitava algo que a família já sabia fazer. Em vez de apenas lavar toalhas, a empresa poderia fornecer as roupas usadas pelos funcionários das fábricas e cuidar de toda a manutenção.
O cliente não precisaria comprar os uniformes, organizar a lavagem ou se preocupar com a reposição das peças.
A Cintas cuidaria de tudo.
Para os clientes, era uma maneira de tirar uma preocupação da operação.
Para a Cintas, significava algo ainda mais importante: enquanto aquelas empresas precisassem de uniformes limpos, continuariam precisando do serviço.
Só havia um problema.
Para atender cada novo cliente, a Cintas precisava comprar uniformes, manter lavanderias funcionando, colocar caminhões nas ruas e garantir que tudo fosse entregue no prazo.
Quanto mais vendesse, maior seria a estrutura necessária para cumprir o que havia prometido.
O desafio não era apenas conquistar clientes. Era encontrar uma maneira de atender cada vez mais empresas sem que os custos crescessem na mesma proporção.
E foi aí que crescer começou a melhorar o negócio.
Em 1968, Richard Farmer criou a Satellite Corporation, que daria origem à Cintas atual, para expandir o aluguel de uniformes pelos Estados Unidos.
A empresa passou a construir uma rede capaz de atender clientes em diferentes regiões do país, com lavanderias e rotas regulares de atendimento.
E havia uma característica importante nesse modelo.
Uma lavanderia que já atendia 50 empresas podia processar os uniformes de outras 20 sem precisar aumentar sua estrutura na mesma proporção. O mesmo acontecia com os caminhões, que podiam incluir novos estabelecimentos nas rotas que já percorriam.
Ou seja, quanto mais clientes a Cintas conquistava em uma mesma região, melhor aproveitava a estrutura que já tinha.
E essa lógica também ajuda a entender sua expansão por aquisições.
Em 2017, a Cintas comprou a concorrente G&K Services por aproximadamente US$ 2,2 bilhões, ampliando sua carteira de clientes e incorporando operações que poderiam ser integradas à rede existente.
A aquisição não representava apenas a compra de faturamento. Também oferecia oportunidades de combinar instalações, rotas e estruturas operacionais.
Só que havia outra maneira de crescer sem precisar colocar tantos caminhões novos nas ruas.
O mesmo cliente podia comprar muito mais.
Uma empresa que precisa manter os uniformes dos funcionários limpos provavelmente também precisa de tapetes, produtos para banheiros, materiais de primeiros socorros e equipamentos de segurança.
E a Cintas já atendia muitas dessas empresas regularmente.
Ao longo das décadas, passou a oferecer esses outros produtos e serviços.
Assim, um cliente que inicialmente contratava apenas uniformes podia passar a comprar também itens para os banheiros, materiais de segurança e serviços de manutenção das instalações.
A companhia não precisava conquistar um estabelecimento diferente para cada nova venda.
Podia ganhar mais dinheiro atendendo outras necessidades de quem já era seu cliente.
E essa expansão também produziu um resultado menos visível.
Uma gigante que não depende de ninguém.
Hoje, a Cintas atende mais de um milhão de empresas, de pequenos estabelecimentos a grandes corporações.
E, apesar desse tamanho, nenhum cliente representa individualmente mais de 1% de sua receita.
Em muitos negócios, crescer significa conquistar contratos cada vez maiores e, consequentemente, depender de um número relativamente pequeno de clientes.
A Cintas construiu o oposto: uma receita distribuída entre uma quantidade enorme de empresas.
Isso não significa que perder contratos tenha deixado de ser um problema. Mas até a saída de um de seus maiores clientes dificilmente colocaria o negócio em risco.
Dos panos descartados aos US$ 11 bilhões.
No ano fiscal encerrado em maio de 2026, a companhia registrou:
US$ 11,26 bilhões de faturamento.
US$ 2,61 bilhões de lucro operacional.
23,1% de margem operacional.
Mais de 1 milhão de empresas atendidas.
A divisão de aluguel de uniformes e serviços para instalações respondeu por aproximadamente US$ 8,62 bilhões da receita total.
E, mesmo depois de quase um século de história, a companhia continua apostando na expansão da sua rede.
Em março de 2026, anunciou um acordo para adquirir a concorrente UniFirst por aproximadamente US$ 5,5 bilhões.
Segundo as projeções divulgadas pelas empresas, a integração poderia gerar cerca de US$ 375 milhões em economias operacionais.
Mas o que torna a história da Cintas interessante não é apenas o tamanho que ela alcançou.
É o que aconteceu com o negócio enquanto crescia.
A diferença entre crescer e ficar maior.
Toda empresa quer crescer. Mais clientes, mais receita, mais mercados.
Mas existe uma diferença entre uma empresa que fica maior e uma que fica melhor conforme cresce.
Em muitos negócios, dobrar o faturamento significa precisar de aproximadamente o dobro de funcionários, equipamentos e estrutura.
Na Cintas, o crescimento funciona de outra maneira.
Cada novo cliente ajuda a aproveitar melhor as lavanderias e rotas existentes. Cada serviço adicional aumenta o valor de um relacionamento já construído. E uma base cada vez maior reduz a dependência de contratos individuais.
Uma vantagem alimenta a outra.
É por isso que duas empresas podem crescer o mesmo percentual e terminar em posições muito diferentes.
Uma pode simplesmente ter mais clientes, funcionários e custos.
A outra pode terminar com uma operação mais eficiente, uma posição competitiva mais forte e melhores condições para continuar crescendo.
No fim, o melhor crescimento não é aquele que apenas aumenta o tamanho de uma empresa, mas aquele que a torna um negócio melhor.
RADAR DO OPERADOR
Também vale a pena ver.

GIRO DO MERCADO
1. Ibovespa bate recorde histórico e tem maior alta semanal em seis anos.
O índice fechou a sexta-feira aos 209.067 pontos, acumulando alta de 8,82% na semana. Já o dólar caiu 4,44%, encerrando a R$ 4,985, abaixo de R$ 5 pela segunda sessão consecutiva.
O que aconteceu: a reação ao resultado do primeiro turno das eleições concentrou boa parte dos ganhos na segunda-feira, quando o Ibovespa disparou 7,70%, sua maior alta diária desde março de 2020.
Em números, na semana:
→ Ibovespa: +8,82% (+29,75% no ano).
→ Dólar: −4,44% (−9,18% no ano).
→ Índice de small caps: +20,14%.
Destaques: Magazine Luiza (+60,58%), Vamos (+45,57%) e Smart Fit (+43,96%) estiveram entre as maiores altas, enquanto Embraer (−9,82%) e Vale (−5,89%) recuaram.
O mercado agora acompanha o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
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2. IA pode reduzir alguns salários e aumentar outros em até 33,6%.
Um estudo da Anthropic, criadora do Claude, simulou como a IA pode afetar os salários nos Estados Unidos até 2030.
Os números, em comparação com os salários esperados para 2030 caso não houvesse IA:
→ Cenário modesto: profissionais de escritório +0,4%; demais ocupações +1,1%.
→ Cenário substancial: profissionais de escritório −0,3%; demais ocupações +5,9%.
→ Cenário extremo: profissionais de escritório −11,5%; demais ocupações +33,6%.
O primeiro grupo inclui áreas como gestão, vendas, programação, contabilidade e direito. O segundo reúne as demais ocupações, como eletricistas, encanadores e trabalhadores da construção.
Por quê? Segundo os pesquisadores, a IA automatiza parte do trabalho de escritório, o que reduz a procura por esses profissionais. Ao mesmo tempo, acelera o crescimento da economia, e isso aumenta a demanda por trabalhadores de outras áreas.
Os resultados são simulações, não previsões.

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3. Vendas de consórcios de imóveis cresceram 40% em 2026.
Entre janeiro e agosto, foram comercializadas 1,14 milhão de novas cotas, 325 mil a mais que no mesmo período de 2025, segundo dados do setor.
Em números:
→ Novas cotas: +39,9%.
→ Participantes ativos: +33,6%, chegando a 3,34 milhões.
→ Contemplações: +17,9%, totalizando 110 mil.
O detalhe: os R$ 231,9 bilhões em créditos comercializados representam o valor das cartas contratadas, não o de imóveis efetivamente comprados. No período, as contemplações corresponderam a R$ 22,43 bilhões em créditos.
Vale lembrar: consórcio não cobra juros como um financiamento, mas tem custos. Nos grupos imobiliários constituídos em 2024, a taxa média de administração era de 20,8%, com prazo médio de 217 meses, cerca de 18 anos.
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Outros acontecimentos para você não ficar por fora:
Só 4 em cada 10 bares e restaurantes fecham o mês com lucro.
Ronaldo Fenômeno compra o controle da operação da Head no Brasil.
Startup alemã de robôs industriais RobCo passa a valer US$ 1 bilhão.
Shake Shack chega ao Brasil com a dona do Outback.
Google apresenta o Gemini Agent, agente de IA para empresas.
Manus capta mais de US$ 500 milhões depois de a China barrar sua venda para a Meta.
Insider abre sua primeira loja física, depois de faturar R$ 500 milhões na internet.
Startup de IA para concessionárias capta US$ 27 milhões.
Mercado mundial de computadores encolhe 20% em um ano.
Francesa Alan, que tem Mbappé entre os sócios, avalia comprar a brasileira Alice.
Nestlé fecha com a NBA a maior parceria internacional de marcas de sua história.
Smart Fit compra até 20% do Buddha Spa.
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SOBRE NÓS
Prazer, eu sou o Ythalo, fundador e editor do The Operator.

Há mais de 10 anos construo empresas de tecnologia. Sou sócio da MAR Ventures, venture builder por trás de empresas como a Remessa Online, vendida ao EBANX por mais de R$ 1 bilhão. E também sou cofundador e CEO da Vobi, investida pela Y Combinator, a mesma aceleradora por trás de Airbnb, Stripe e OpenAI, criadora do ChatGPT.
Ao longo dessa jornada, uma coisa sempre me incomodou: quase todo conteúdo de negócios termina na inspiração. Você vê, concorda, salva. Mas na hora de decidir sobre precificação, contratação ou uma estratégia, nada daquilo te ajuda.
O The Operator nasceu para quebrar esse loop: uma seleção semanal de ideias, estudos de caso e estratégias que eu também gostaria de receber. Conteúdo que não é só para salvar, mas para construir o repertório de quem toca uma empresa.
E, já que você chegou até aqui, responda este e-mail e me conte: qual é a decisão mais difícil que você precisa tomar na sua empresa hoje?
Eu leio todas as respostas.
Até o próximo domingo,
The Operator, por Ythalo S.